O Governo do Irã aplicou uma “política de repressão sabiamente elaborada” desde a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, afirmou hoje a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que denunciou as detenções de jornalistas no país.
No total, 170 jornalistas e blogueiros foram detidos em um ano e “22 deles foram condenados a penas que representam no total 135 anos de prisão”, destacou a RSF.
Mais de uma centena de profissionais de imprensa tiveram de abandonar o país, 23 jornais foram proibidos e “milhares de site” foram bloqueados pelas autoridades iranianas, assegurou a RSF.
A organização critica o que qualifica de “erradicação” do regime iraniano contra a profissão de jornalista, mas também para denominar o que, em sua opinião, Teerã faz com observadores políticos e militantes sociais.
Eles são “uma parte essencial da inteligência viva do país”, comenta a RSF, ao fazer uma análise dos últimos 12 meses, desde a reeleição, em 12 de junho de 2009, de Ahmadinejad como presidente iraniano e em relação especialmente à liberdade de expressão.
A ONG de defesa da liberdade de imprensa afirma que o regime iraniano atuou para “enfraquecer” as redes de comunicação, seja através da internet ou pelo controle das redes telefônicas para o envio de meras mensagens de texto a celulares.
A RSF também critica as medidas do Governo iraniano para impedir a difusão de informações sobre os protestos contra o resultado das eleições de um ano atrás, qualificando-o de “guerra contra as imagens”. Segundo a ONG, os correspondentes internacionais no Irã tiveram seu trabalho enormemente dificultado.
A organização contesta a “demonização” do regime em relação à imprensa estrangeira, cujos representantes no Irã são considerados “espiões a serviço dos Estados Unidos”.
Por fim, a entidade denuncia a ausência de garantias judiciais nos processos abertos contra jornalistas, frequentemente presos junto a presos comuns, e assegura que a tortura na prisão de Evin é “sistemática”.