A onda de calor que atinge a Europa já provocou mais de 1,3 mil mortes acima do esperado, segundo informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) neste domingo (28). A entidade estima que cerca de 150 milhões de pessoas estejam expostas a temperaturas extremas em diferentes países do continente.
Em publicação nas redes sociais, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização atua em conjunto com governos para reduzir os impactos do calor, com ações voltadas à preparação, prevenção e fortalecimento dos sistemas de saúde.
Desde o fim de junho, diversos países europeus registram temperaturas recordes. Na França, os termômetros ultrapassaram os 40°C em várias cidades e cerca de mil mortes acima do esperado foram registradas desde 24 de junho, principalmente entre idosos.
A Alemanha também bateu recorde histórico, com temperatura de 41,5°C, enquanto a República Tcheca chegou a 40,8°C. Na Suíça, a cidade de Basileia registrou 39°C pelo terceiro dia consecutivo, estabelecendo um novo recorde para o mês de junho. Já a Dinamarca alcançou 37°C, a maior temperatura desde o início das medições no país.
Na Espanha, autoridades associaram 212 mortes registradas em quatro dias ao calor extremo.
Além dos impactos na saúde, a onda de calor também afeta serviços públicos e a infraestrutura. Hospitais registraram aumento na procura por atendimento, enquanto eventos ao ar livre foram cancelados ou adaptados. Na Alemanha, empresas ferroviárias flexibilizaram regras para passageiros devido ao risco de deformação dos trilhos, e o calor também provocou danos em rodovias.
Especialistas apontam que episódios como o atual estão relacionados às mudanças climáticas e tendem a se tornar mais frequentes e intensos. O fenômeno atmosférico conhecido como “bloqueio ômega” contribuiu para manter uma massa de ar quente sobre o continente por vários dias.
Além dos efeitos na saúde, economistas alertam para prejuízos na atividade econômica. Segundo estudo da seguradora Allianz, temperaturas acima de 30°C reduzem a produtividade, elevam o consumo de energia e aumentam os afastamentos por problemas de saúde. A projeção é que, caso eventos semelhantes se repitam com maior frequência, as perdas para a economia alemã possam chegar a US$ 131 bilhões entre 2026 e 2030.