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OMS: 93% das crianças do mundo estão respirando ar tóxico

A própria OMS estima que, apenas ao longo do ano de 2016, 600 mil crianças tenham morrido em consequência de infecções respiratórias

People wear face masks as they cross a street on a polluted day in Beijing, China January 4, 2017. Credito: Thomas Peter/Reuters
O futuro da população mundial está em risco e a culpa é da poluição. É o que diz a Organização Mundial da Saúde (OMS), que divulgou um relatório com dados preocupantes sobre crianças e poluição: 93% da população com menos de 15 anos de idade respira ar tão poluído que sua saúde e desenvolvimento correm graves riscos.

De acordo com o documento publicado na primeira Conferência Mundial sobre Poluição do Ar e Saúde, realizada no começo de novembro em Genebra (Suíça), a situação já afeta 1,8 bilhão de crianças no mundo.

A própria OMS estima que, apenas ao longo do ano de 2016, 600 mil crianças tenham morrido em consequência de infecções respiratórias causadas pelo ar poluído. A poluição do ar, informa a entidade, é uma ameaça ainda maior para crianças com menos de cinco anos: hoje, ela já é responsável por 10% das mortes nesta faixa etária. Em relação à população geral do planeta, a poluição do ar mata pelo menos 7 milhões de pessoas anualmente e prejudica a saúde de mais de 3 bilhões

Além dos riscos diretos, a poluição do ar resulta em problemas para o futuro saudável da nossa espécie, como um todo. O problema afeta mulheres grávidas, dificultando o ganho de peso do feto e aumentando a possibilidade de nascimentos prematuros. A poluição também fator de risco para o desenvolvimento do cérebro destas crianças e para o surgimento de doenças cardiovasculares crônicas, problemas respiratórios e cânceres – principais causas de morte humana segundo dados da entidade

Os organizadores do relatório destacam a descoberta de que não apenas a poluição do ar externo, mas também a poluição interna pode causar problemas de saúde em grande escala. Isso significa que, além da poluição gerada pela queima de combustíveis fósseis pela indústria e pelos transportes, o uso de carvão, madeira e parafina para aquecimento, cozimento e iluminação em residências, sobretudo em países mais pobres, têm grande impacto na saúde da população infantil.

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COMO COMBATER A POLUIÇÃO: CINCO SOLUÇÕES MAIS EFICIENTES

No relatório, a OMS lista também cinco medidas mais urgentes que o planeta deve tomar para reverter este quadro. ‘As soluções são uma agenda básica de saúde que terá muitos benefícios para a saúde pública e o meio ambiente. Nada importa mais que isso: sabemos que precisamos descarbonizar nossa sociedade o quanto antes, e os benefícios disso para nossa saúde e nossa economia são indiscutíveis’, disse Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Sociedade da OMS, ao jornal britânico The Guardian. Confira as cinco medidas.

1. Geração de energia de baixa emissão

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A queima de combustíveis fósseis é um problema por si só quando o assunto é aquecimento global. Além de principal fator para a intensificação das mudanças climáticas, essa queima despeja na atmosfera grande quantidade de partículas poluentes e traz risco de intoxicação para as populações que vivem próximas a usinas

2. Planejamento urbano e gestão adequada de transportes

Muitas grandes cidades ao redor do mundo sofrem com sistemas de transporte baseados em veículos movidos a combustíveis fósseis. Em São Paulo, por exemplo, uma das maiores cidades do mundo, este é um grande problema: 73% das emissões poluentes são causadas por veículos particulares, que transportam apenas 30% dos cidadãos.

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3. Habitações com maior eficiência energética

O relatório identificou que o uso inadequado de produtos como carvão, madeira e parafina para produzir aquecimento e/ou alimentação dentro de casa pode trazer consequências graves à saúde de seus moradores. Redes de energia elétrica seguras e a preços acessíveis são uma solução

4. Controlar desmatamento de florestas

O aumento do desmatamento e de queimadas de florestas tem alto impacto na relação da poluição atmosférica. A Amazônia, por exemplo, influencia a qualidade do ar de toda América do Sul: um estudo realizado no local indica que a degradação da floresta afeta, sobretudo, o Norte do Brasil, Peru e Bolívia, mas chega até São Paulo, na região Sudeste do país.

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5. Melhor gerenciamento de resíduos

Na maior parte do mundo, não há gerenciamento de resíduos urbanos adequado, embora esteja sendo feito enorme investimento no setor. A má destinação do lixo e dos resíduos que poderiam ser reciclados pioram as condições do ar e afetam também a qualidade dos solos, rios e oceanos do planeta.

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Estadão Conteúdo






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