O diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) na América Latina, o venezuelano Jean Maninat, afirmou hoje que a recuperação do emprego “sempre será mais lenta” do que a saída da crise mundial.
“Talvez a crise esteja diminuindo ou chegando ao fundo do poço, mas o emprego sempre fica para trás. Os Governos devem pôr a criação de emprego no centro das políticas públicas”, afirmou Maninat na abertura de um seminário sobre o convênio da OIT para o trabalho na pesca, realizado hoje no Rio de Janeiro.
Ele explicou que o desemprego é a face “mais perniciosa” de qualquer crise e criticou que se aproveite a melhoria econômica para resgatar os modelos trabalhistas anteriores às turbulências financeiras.
“Não podemos cometer o risco de voltar a mais do mesmo. Seria injusto e afetaria a governabilidade democrática e a paz social na América Latina”, disse o representante da OIT.
Para Maninat, uma solução para estender boas práticas no emprego é aplicar os convênios da OIT, como o da pesca, cujo conteúdo será debatido até quarta-feira no Rio por representantes de Governos e associações de empresários e trabalhadores de diversos países da América Latina.
“A força e o vigor destes acordos residem em que são fruto da discussão de três partes (de trabalhadores, empregadores e Governos), e não um produto de laboratório de Genebra”, acrescentou.
Maninat ressaltou que na América Latina dois milhões de pessoas vivem da pesca, 500 mil da aquicultura e outros dois milhões da “pesca artesanal”, o que implica trabalhadores na informalidade, com embarcações precárias e com pouca ou nenhuma proteção social.