A obesidade infantil se transformou em um dos temas mais preocupantes para as autoridades de saúde do mundo todo. Nos Estados Unidos, a campanha “Let’s Move! Child Care”, promovida pela primeira-dama, Michelle Obama, e o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os altos índices de obesidade na América Latina evidenciam a existência de um problema que afeta milhares de crianças.
A obesidade, que afeta 17% das crianças, aumenta as probabilidades de elas desenvolverem futuramente diabetes do tipo 2 e doenças do coração e do fígado, terem aumento da pressão arterial e até mesmo alguns tipos de câncer, segundo dados dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, que apresentaram um plano estratégico de pesquisa da obesidade.
Em Nova York o vereador Leroy Comrie propôs em abril que as cadeias de fast-food não incentivem este tipo de alimentação com brindes para os menores, uma iniciativa que já começou a ser praticada na cidade de San Francisco.
A obesidade infantil é um problema que gera preocupação nos EUA e, segundo Leroy, só na cidade de Nova York cerca de terço das crianças está acima do peso.

Michelle Obama promove há mais de um ano a campanha contra a obesidade “Let’s Move! Child Care”. “O primeiro passo é garantir que as crianças pratiquem atividades físicas por uma ou duas horas ao dia. Estar em movimento é natural para eles, portanto, esta norma é fácil de ser aplicada”, disse a primeira-dama, durante uma visita a uma creche.
A campanha pretende assentar as bases para uma vida saudável desde a infância, já que mais da metade das crianças obesas nos EUA estava acima do peso antes mesmo de completar dois anos, segundo os números oficiais.
Preocupação também na América Latina
A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, reivindicou em fevereiro deste ano na Cidade do México que a sociedade e os Governos latino-americanos dêem mais atenção à obesidade e a outros problemas que atingem a população da região.
No México a situação é alarmante, pois no país há 4,5 milhões de crianças de entre cinco e 11 anos que estão acima do peso.
Chan denunciou que são “milhões as pessoas que vivem em cidades onde cada vez há menos espaços verdes, parques e regiões para a prática de atividades físicas, o que está piorando o problema da obesidade”.
A obesidade infantil na sociedade atual fará com que a expectativa de vida diminua, destacou o especialista Albert Feliu, membro do grupo de trabalho sobre a obesidade da Sociedade Espanhola de Endocrinologia Pediátrica.
Feliu afirmou que as causas da obesidade infantil são “multifatoriais” e destacou a diminuição da prática de atividades físicas – motivada pelo surgimento de outras atividades lúdicas – além da mudança de hábitos alimentares.
Hábitos saudáveis
Os segredos para não engordar na infância estão relacionados com hábitos saudáveis dentro de casa, como não passar muito tempo em frente à televisão e praticar desde cedo atividades físicas.
A tecnologia acaba por estimular o sedentarismo das crianças, que se rendem aos computadores, aos videogames e à televisão, assim como a “novos” hábitos alimentares que fazem com que desde cedo muitos meninos e meninas se afastem de hábitos saudáveis.
A televisão e os videogames, que induzem ao sedentarismo, têm uma relação direta com o excesso de peso, como afirma Luis Torre Cardona, um dos autores do livro “Mi hijo no come” (Meu filho não come, na tradução) junto a Rocío Ramos Paul, psicóloga infantil.
Segundo Ramos, a televisão contribuiu para reduzir o diálogo entre pais e filhos durante as refeições. Assim, a mesa deixou de ser o lugar de encontro da família.
“Tanto a televisão quanto os videogames são novas tecnologias que as crianças podem usar, mas depois de terminarem as refeições”, afirma Cardona, que adverte que o comer fora de hora é um hábito que pode contribuir para o excesso de peso.
“Uma criança distraída que assiste à televisão enquanto come é uma criança que perde a sensação de saciedade necessária para parar de comer. Repetir esta atividade gera um mau hábito e aumenta a possibilidade de obesidade”, explica.
Ele ressalta ainda que o aumento da taxa de obesidade está relacionado, sobretudo, à “falta de bons hábitos alimentares”.
Para o médico Francisco Alvarado, chefe do serviço de terapia intensiva do Hospital La Paz (Madri) e professor aposentado da Universidade Autônoma de Madri, o excesso de peso em crianças está ligado à alta ingestão de alimentos como bolos, pizzas e fast-food no geral.
Segundo ele, o consumo destes alimentos ligado a uma vida sedentária produz um desequilíbrio entre o que é consumido e o que o organismo elimina: “Portanto, se entram muitos alimentos e queimam-se poucas calorias, o balanço é positivo, ou seja, se não se gasta energia com atividades físicas” a pessoa vai engordar, alerta.
O médico também esclarece que as crianças podem ver televisão de forma controlada e que elas não devem ficar direto em frente à telinha depois que chegam da escola.
“No entanto, também é verdade que há muitos videogames modernos nos quais as crianças se movimentam muito. Mesmo assim os jogos que levam ao sedentarismo, nos quais as crianças assumem uma atitude passiva, influem sobre a ingestão de calorias”, acrescenta.
Portanto, algumas atitudes são fundamentais para prevenir o excesso de peso na infância: comer bem, de forma equilibrada, nunca fora de hora e praticar atividades físicas.
Além dos jogos mais tradicionais como o basquete e o futebol, existem também outros esportes que ajudam as crianças a ficar em forma e que contribuem para que elas desenvolvam hábitos solidários e de companheirismo.
O pingue-pongue, por exemplo, costuma ser uma atividade de elevado gasto calórico, que, além disso, pode ser praticada entre pais e filhos, promovendo a comunicação e uma disputa saudável entre a família.
Finalmente, os especialistas afirmam que é necessário começar a prevenir a obesidade desde a infância. A idade ideal para a criança começar a praticar atividades físicas é entre os 2 e os 5 anos, porque a partir dos 10 anos já é mais difícil para a criança que está com alguns quilinhos a mais perder peso.