O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parte nesta quarta-feira para Tucson para participar de uma cerimônia de homenagem às vítimas do tiroteio de sábado, no qual morreram seis pessoas e 14 feridos, e tentar consolar a uma nação comovida pelo incidente.
Até o momento, a Casa Branca não fez comentários sobre o discurso, no qual Obama esteve trabalhando até o último momento.
O organismo detalhou que a viagem servirá para homenagear os mortos e feridos, entre os quais a congressista Gabrielle Giffords, que levou um tiro na cabeça. Ele vai agradecer os esforços dos presentes para deter o atirador.
Mas em declarações à imprensa após uma reunião com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, na segunda-feira, o presidente havia falado em seu discurso que faria um chamado à união de cidadãos.
“Acho que vai ser importante, quero que todo o país e o povo do Arizona sintam que estamos abordando nosso sentimento de perda, mas também nossa esperança de futuro e que de uma tragédia como estas possamos sair unidos como um país mais forte”, declarou.
Para o presidente, que viaja acompanhado da primeira-dama, Michelle Obama, e que voltará imediatamente a Washington após a cerimônia, se trata de um discurso importante, do que pode depender inclusive sua recuperação nas pesquisas de popularidade.
Parte da missão do presidente americano é servir de catalisador do país nos momentos de crise e de dor coletiva. Não é fácil, pois deve traçar uma linha tênue entre a sensibilidade excessiva, o ganho político e as emoções autênticas.
Assim ocorreu com George Bush, ao agarrar o alto-falante para dirigir-se aos trabalhadores dos serviços de emergência após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Também com Bill Clinton, após o atentado de Oklahoma em 1995, seis meses depois de o Partido Democrata perder a maioria no Congresso, e com Ronald Reagan, depois da explosão em voo da nave “Challenger”, quando se declarou “dolorido até o centro” de seu ser.
O país estará atento em Obama nesta quarta-feira muito mais do que qualquer outra noite, incluída a de 25 de fevereiro próximo, quando vai expor suas prioridades legislativas para este ano no discurso sobre o Estado da União.
Se o discurso dessa noite for puramente político, ou assim o percebem muitos eleitores, nesta quarta-feira todos escutarão em busca de respostas as muitas dúvidas geradas a partir do incidente, em particular sobre as divisões partidárias do país.
Durante sua estadia em Tucson, o presidente se reunirá com as famílias de algumas das vítimas do tiroteio.
A continuação participará de um ato em memória das vítimas na Universidade do Arizona.
A Casa Branca teve cuidado em procurar que o ato tivesse caráter bipartidário. No avião presidencial Air Force One viajarão com Obama e sua esposa cinco congressistas republicanos do Arizona, além da secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano; do líder da minoria democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e o secretário de Justiça, Eric Holder.
O acusado do tiroteio, Jason Lee Loughner, de 22 anos, compareceu na segunda-feira diante de um juiz para uma vista preliminar na qual se apresentaram acusações de assassinato e tentativa de assassinato de funcionários federais.
A Polícia considera que Giffords, de 40 anos, era o alvo principal de Loughner, quem segundo as informações indicam indícios de desequilíbrio mental.