O presidente eleito Barack Obama, page um ávido leitor de Abraham Lincoln, pharm caminha para seguir os passos de seu ídolo com a formação de um Governo de “rivais”, cheap no qual se dá por garantido que estará Hillary Clinton e, talvez, Robert Gates.
O atual secretário de Defesa da Administração de George W. Bush poderia permanecer no cargo de forma transitória, com o objetivo de facilitar a mudança de Governo em uma situação bélica como a atual, com dois conflitos abertos, no Iraque e no Afeganistão.
O fato de a equipe de Obama não ter se pronunciado a respeito revela que não está decidido, mas também não está descartado, que Gates será escolhido, já que o secretário de Defesa é considerado uma voz moderada dentro da equipe de segurança da atual Casa Branca.
A permanência de Gates durante um tempo limitado, não durante todo o mandato, daria tempo para que o futuro secretário de Estado de Defesa pudesse, talvez de uma posição de liderança secundária, conhecer o interior do Pentágono e inclusive ir formando sua própria equipe.
Porém, o que parece confirmado, segundo informações divulgadas pela imprensa, é a escolha de Hillary Clinton para a secretária de Estado, o posto de maior visibilidade e prestígio do Governo, depois do de presidente.
Fontes da equipe de campanha de Obama informaram que Hillary tem o “caminho livre” para ter acesso ao cargo. O anúncio está previsto para ser feito após o Dia de Ação de Graças, a mais importante festa americana, celebrada na próxima quinta-feira, 27 de novembro.
Escolher Hillary não foi fácil para Obama, não só porque durante o intenso processo de primárias foi duramente criticado pela rival por sua suposta inexperiência, mas pela possível incompatibilidade gerada pela Fundação Bill Clinton, do ex-presidente e marido da senadora por Nova York.
O ex-líder, que governou os Estados Unidos entre 1993 e 2001, está embarcado há anos em um ambicioso trabalho de filantropia através da Fundação William J. Clinton, que reúne centenas de milhões de dólares de doadores de todo o mundo, muitos deles sob o anonimato.
A isso se unem as conferências e atividades de assessoria que realiza, mediante altos pagamentos, para outros Governos, alguns dos quais Hillary teria que visitar como chefe da diplomacia americana.
A equipe de Obama esteve analisando todas as possíveis incompatibilidades, mas, segundo noticiado hoje pela imprensa, a nomeação será feita após Bill Clinton aceitar revelar sua lista de doadores e pedir autorização à Casa Branca antes de consentir em participar de uma conferência ou em receber futuras doações.
Em qualquer caso, a escolha de Hillary revela que Obama está disposto a cumprir sua promessa de trazer a Washington uma nova forma de fazer política, em linha com o exemplo de Lincoln, que ofereceu vários postos do Governo a seus ex-rivais na corrida pela nomeação republicana, em 1860.
A determinação do novo presidente de se cercar de uma “equipe de rivais” não só fica evidente com a oferta a Hillary, ou a possível escolha de Gates para a secretária de Defesa.
Outro exemplo foi a decisão de estender a mão ao adversário nas eleições, o republicano John McCain, com quem se reuniu na semana passada, ou de perdoar a “infidelidade” do senador Joe Lieberman, a quem os democratas permitiram que mantivesse um dos assentos na Câmara Alta, apesar de ter feito campanha para o “inimigo”.
Para Obama, o modelo de se cercar de uma “equipe de rivais” é a melhor forma de se distanciar da forma de fazer política das últimas quatro décadas.
“Acho muito útil a maneira como Lincoln encarou sua tarefa de Governar. Acho que há, nela, muita sabedoria e humildade”, disse o próprio Obama, há poucos dias, no programa “60 minutes”, da “CBS”.
O democrata, como Lincoln, concorda com o ditado “mantenha seus amigos por perto, mas seus inimigos mais perto ainda”.