O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou nesta terça-feira que o objetivo de conquistar a paz no Oriente Médio se tornou “mais importante do que nunca”, perante a agitação civil nos países árabes que reivindicam reformas democráticas.
Obama e o presidente de Israel, Shimon Peres, se reuniram durante um almoço de trabalho a portas fechadas na Casa Branca e posteriormente o líder americano surpreendeu ao dar uma entrevista coletiva na sala de imprensa.
O chefe da Casa Branca disse que em sua “conversa exaustiva” com Peres ambos se mostraram de acordo que a situação atual apresenta “um desafio e uma oportunidade” perante uma mudança no mundo árabe.
Os dois líderes coincidiram, segundo Obama, na necessidade de aproveitar as oportunidades para conseguir um acordo de paz entre israelenses e palestinos.
Neste sentido, indicou, Peres tem uma série de “ideias interessantes” para avançar no processo de paz, embora o presidente americano não tenha entrado em detalhes.
Apenas se limitou a indicar que, perante os processos de transição em países como o Egito e Tunísia, é importante “não só incentivar o desenvolvimento da democracia, mas também as oportunidades econômicas”.
Desta forma, segundo Obama, poderão garantir “um futuro promissor aos jovens”.
Os dois líderes abordaram as reivindicações de mudança no Oriente Médio, mediante manifestações em países como a Síria e Iêmen e em conflitos que resultaram uma guerra civil, como na Líbia.
A imprensa israelense tinha publicado nos dias anteriores que um dos objetivos da visita de Peres a Washington era antecipar a Obama as linhas de um novo projeto de paz que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deve anunciar em maio deste ano.
Obama nunca manteve uma boa relação pessoal com Netanyahu, com quem discordou sobre os esforços dos EUA para relançar as negociações de paz diretas entre israelenses e palestinos.
As conversas diretas se retomaram brevemente no dia 2 de setembro de 2010 após fortes pressões por parte dos EUA, para serem interrompidas semanas depois ao expirar no dia 26 de setembro uma moratória israelense sobre a construção de novos assentamentos na Cisjordânia.
Em dezembro, o Governo dos Estados Unidos admitiu que não tinha assinado o compromisso israelense para uma nova moratória, sem a qual os palestinos não aceitavam retornar à mesa de negociações.
Precisamente, às vésperas da reunião entre Peres e Obama as autoridades municipais de Jerusalém aprovaram a construção de 942 novas casas no assentamento de Gilo, em Jerusalém Oriental.
Neste sentido, o Governo dos EUA expressou nesta terça-feira sua “profunda preocupação” pelo anúncio por parte de Israel dessa construção em território palestino ocupado.
“Estamos profundamente preocupados pelo anúncio da aprovação dessas casas. Como dissemos, consideramos que as partes devem concordar através de negociações diretas baseadas na boa fé, uma solução que cumpra as aspirações de ambos povos”, assinalou o porta-voz interino do Departamento de Estado, Mark Toner, em sua entrevista coletiva diária.
ausência de um acordo de paz entre israelenses e palestinos “prejudica Israel, prejudica os palestinos e prejudica os interesses dos EUA e da comunidade internacional”, acrescentou.
O episódio lembra o anúncio de novas construções em Jerusalém Oriental em março de 2010, quando o vice-presidente americano, Joe Biden, visitava Israel.
Aquele anúncio representou um golpe do Governo de Netanyahu à Administração de Obama, que pressionava para retomar as conversas de paz entre israelenses e palestinos.