Ainda segundo segundo a rede de TV, que cita funcionários ligados ao presidente, em seu segundo dia de trabalho Obama deve baixar outros dois decretos: um proibindo o uso de tortura e outro ordenando uma revisão nos processos de detenção para presos em Cuba.
Hoje, o conselheiro legal da Casa Branca, Greg Craig, deu informações sobre as três resoluções a membros do Congresso, informou a “ABC”.
A decisão foi muito bem recebida pela ONG Human Rights Watch (HRW), que disse ser um sinal da alta prioridade que é para o novo presidente a reforma da estratégia americana contra o terrorismo.
“O presidente Obama fará um grande avanço para restabelecer a autoridade moral dos EUA”, disse Jennifer Daskal, conselheira sobre antiterrorismo da HRW.
“Ao fechar um símbolo global de abuso, Obama privará os terroristas de um poderoso instrumento de recrutamento”, destacou.
Ontem à noite, Obama havia instruído seu secretário de Defesa, Robert Gates, a pedir aos juízes militares em Guantánamo a suspensão, por 120 dias, dos processos contra as cerca de 250 pessoas que permanecem na prisão.
Menos de 24 horas depois do pedido transmitido por Gates, os julgamentos de seis detidos na base foram suspensos.
Também nesta quarta, Obama recrutou o procurador David Iglesias, demitido no Governo Bush por motivos políticos, para a equipe que se ocupará dos casos dos detidos em Guantánamo.
O próprio Iglesias falou hoje de seu novo trabalho em uma entrevista a um canal de TV do Novo México.
“Queremos nos certificar de que os terroristas que cometeram atos de violência serão levados à Justiça, e que os que não (cometeram) serão libertados”, disse o procurador, que ocupava um cargo de chefia até ser demitido no fim de 2006.
“Fui promotor em tribunais estaduais, federais e militares. Agora só estou esperando as indicações da nova Administração sobre onde julgar os prisioneiros de Guantánamo”, comentou Iglesias.
Iglesias pertence ao corpo de reservistas da Marinha e foi membro da equipe legal que inspirou o filme “Questão de Honra”, ambientado em Guantánamo e que tem Tom Cruise e Jack Nicholson no elenco.
Segundo o ex-procurador, o novo Governo fechará a prisão de Guantánamo “no próximo ano”, do contrário “não será um ato imediato”.