O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quarta-feira que a paz entre israelenses e palestinos é possível, mas que ambas as partes deverão adotar “compromissos dolorosos”.
Em entrevista coletiva concedida ao lado do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, em Londres, Obama reiterou que a Autoridade Nacional Palestina cometerá um erro se tentar conseguir o reconhecimento de seu Estado por meio da ONU e considerou que Israel “tem razão” em estar preocupado pela reconciliação entre Fatah e Hamas.
Em uma aparente resposta às afirmações do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de que caso as negociações de paz não sejam retomadas irá à ONU em setembro para conseguir a aprovação de um Estado independente, Obama afirmou que o caminho para atingir esse objetivo é mediante o diálogo com Israel.
Sobre a reconciliação entre Fatah, que governa a Cisjordânia, e o grupo radical Hamas, que controla Gaza, Obama indicou que para Israel “é muito difícil negociar com um partido que nega seu direito a existir”.
Os palestinos, ressaltou, “também têm obrigações” e o Fatah deverá “resolver de maneira crível o significado de seu acordo com o Hamas”.
“De acordo com sua própria descrição, o Hamas não renunciou à violência nem reconhece Israel. É difícil, portanto, esperar uma conversa séria” enquanto se mantenham essas posições, declarou o presidente americano.
Obama indicou, assim como fez em seu discurso da semana passada sobre o Oriente Médio, que as negociações de paz deveriam se concentrar inicialmente nas questões da divisão territorial e da segurança de Israel.
O futuro dos refugiados palestinos e o destino de Jerusalém, questões “muito sensíveis”, deveriam ficar para quando se chegar a um acordo sobre os dois primeiros pontos.
“Acho que poderiam ser resolvidos caso haja uma perspectiva de um Estado palestino e um Estado judeu”, acrescentou o presidente americano.
Em seu discurso da semana passada, Obama propôs um Estado palestino sobre a base territorial de 1967 – antes da Guerra dos Seis Dias na qual Israel ocupou Gaza, Jerusalém Oriental e Cisjordânia -, sobre a qual se negociariam intercâmbios de terra de mútuo acordo.
Em suas declarações, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, expressou seu apoio a esta ideia.