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Mundo

Nova York vive o mais controvertido aniversário do 11 de Setembro

Arquivo Geral

11/09/2010 18h19

A cidade de Nova York viveu hoje o aniversário mais politizado e controvertido do 11 de Setembro, com uma divisão entre uma maioria que defende o respeito à liberdade religiosa, e os que consideram uma ofensa a abertura de um centro islâmico a apenas duas quadras do Marco Zero.

 

“Em um dia como hoje não podemos nos calar diante da mensagem de ódio e intolerância que estamos enviando. O mais apropriado seria transmitir a ideia de unidade e respeito”, defendeu Sara Flounders, a ativista que liderou a convocação de uma da várias manifestações realizadas a favor e contra esse projeto.

 

Embora estas manifestações tenham atraído centenas de pessoas a Manhattan, perto de onde deve ser erguido o polêmico centro, em geral os protestos aconteciam sem incidentes de relevância, e os participantes se mantinham separados por barreiras montadas pela Polícia de Nova York.

 

Desta maneira, de um lado ficaram dezenas de pessoas que pediam o respeito à liberdade de credo, acima de qualquer polêmica, e o fim da suposta “onda antiislâmica” que se vive nos Estados Unidos.

 

Do outro, estavam dezenas de pessoas que argumentavam que os responsáveis pelo centro deveriam escolher qualquer outro lugar, e mantinham acaloradas discussões sobre o que se deve fazer para evitar sua construção tão perto de onde há nove anos morreram mais de 2.700 pessoas.

 

Segundo a edição digital do jornal local “Daily News”, um homem tomou a iniciativa de arrancar algumas folhas de uma cópia do Corão e queimá-las.

 

“Se eles podem queimar bandeiras americanas, eu posso queimar o Corão”, gritou o homem em questão, que foi retirado do local pela Polícia, sem que o incidente tivesse maior transcendência.

 

De ser certa, essa iniciativa parece inspirada nos planos do pastor radical da Flórida Terry Jones, que no último momento decidiu cancelar sua convocação de queimar hoje centenas de cópias do Corão, e viajou a Nova York para tentar convencer o ímã Feisal Abdul Rauf, o homem por trás do projetado centro islâmico, a transferi-lo a outro local.

 

Os que compartilham desta opinião argumentam que seria uma falta de respeito situar um centro islâmico tão perto do principal alvo dos atentados perpetrados por muçulmanos radicais.

 

Dos 2.752 mortos contabilizados em Nova York, 1.123 ainda não foram identificados, o que explica o fato de que para muitos familiares de vítimas o Marco Zero continue sendo o mais parecido com o cemitério dos seres queridos que perderam há nove anos.

 

Por este motivo, também se entende porque a maior parte não quis participar das manifestações, e se limitou a assistir como todos os anos ao solene e já tradicional ato de lembrança dos atentados, no qual foram lidos os nomes de todos os mortos.

 

“Nenhuma outra tragédia pública rasgou nossa cidade de uma forma tão profunda. Nenhum outro lugar está tão cheio de compaixão, amor e solidariedade”, disse o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, em cerimônia na qual o vice-presidente americano, Joe Biden, leu um poema de Henry Wadsworth Longfellow.

 

“Os ataques pretendiam fazer com que questionássemos nossa sociedade livre”, disse David Paterson, governador de Nova York.

 

“Mas o que os terroristas não se deram conta, e nunca entenderão, é que nossas leis são mais fortes que nossos medos, e que estes nunca alterarão nossas leis”, concluiu.

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