A ativista iraniana de Direitos Humanos e Prêmio Nobel da Paz, order Shirin Ebadi, pills defendeu hoje um diálogo “franco e aberto” entre os presidentes de Estados Unidos e Irã como único caminho para resolver “os problemas e desconfianças” entre os dois países.
A advogada e defensora dos direitos civis das mulheres iranianas lançou esta proposta em entrevista coletiva em Madri para apresentar sua conferência sobre “Violência, doctor Direitos Humanos e o Islã” que fará amanhã dentro do ciclo “Os desafios do Século XXI: Outro Mundo é Necessário”.
Ebadi se disse otimista pela eleição do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu anúncio de retirada do Iraque e uma política externa “baseada no diálogo com todos”.
Perguntada pelas eleições presidenciais de junho no Irã, a ativista lamentou que elas “não sejam livres”, já que cada candidato deve antes receber o sinal verde do Conselho da Revolução Islâmica, que veta os candidatos que não se ajustarem aos seus dogmas.
“Devemos ser pacientes, as reformas são lentas; as mudanças de um dia para outro são revoluções, e já passou o século das revoluções”, ponderou.
Assim, quanto ao assédio que sofre no Irã tanto em seu escritório de advocacia que foi fechado quanto como no Centro para a Defesa dos direitos Humanos que preside, Ebadi se disse “muito tranquila”.
“Fecharam nosso escritório, mas não podem nos fechar a boca; vamos seguir trabalhando”, afirmou a vencedora do prêmio Nobel da Paz de 2003, acrescentando que “a responsabilidade de uma ativista de Direitos Humanos começa quando encontra problemas. Não antes, quando tudo vai bem”.
“O fundamental é que todos os Governos devem ser completamente independentes da religião e o reconhecimento que o radicalismo não só é patrimônio do Islã”, concluiu.
“Quem não conhece nenhum católico radical, ou um judeu? E esses que acham que têm a missão de fazer o mundo democrata, não são radicais?”, relativizou, em clara referência ao ex-presidente americano George W. Bush.