A Nicarágua manteve nesta terça-feira perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) que suas tropas nunca invadiram o terreno costarriquenho e que o conflito com a Costa Rica é devido à fronteira.
O embaixador nicaraguense na Holanda, Carlos José Argüello, afirmou e defendeu que a fronteira fixada há mais de um século entre os dois países sofreu mudanças naturais na região próxima à desembocadura do rio San Juan e a chamada lagoa Portillos.
Por este motivo, a Nicarágua pediu nesta terça-feira à Corte que despreze as medidas provisórias solicitadas pela Costa Rica, ao considerar que primeiro deveria ser solucionada a questão fronteiriça.
A Costa Rica denunciou a Nicarágua em novembro perante a CIJ por considerar que seu território foi ocupado militarmente na área compreendida entre os rios San Juan e Colorado, onde a Nicarágua está dragando um canal que une o leito do rio San Juan com a lagoa Portillos.
A Nicarágua considera que essa obra recupera um dos caminhos que une o rio à lagoa e Manágua só quer tornar esse canal navegável, criando mais “um metro de profundidade”, manifestou Argüello.
Segundo o embaixador, as tropas nicaraguenses se limitaram a fazer patrulhas por água, onde a Nicarágua tem jurisdição para proteger os trabalhadores das máfias e para lutar contra o narcotráfico, mas a base ficou na cidade nicaraguense de San Juan do Norte, a um quilômetro da dragagem.
O país também negou que as obras do canal tenham gerado danos ambientais à Costa Rica.
Já a Costa Rica denuncia que as obras do canal desmataram grande parte das florestas da região, por isso pede que os trabalhos sejam interrompidos.
“O problema é que a Costa Rica não quer a dragagem porque é a única que controla o rio, a única que tem saída para o mar”, declarou Argüello perante a imprensa expressando sua interpretação do conflito com o país vizinho.
O governo da Costa Rica rejeita qualquer tipo de modificação na fronteira entre os países e sustenta que a justificativa de defesa nicaragüense contra o narcotráfico é uma “desculpa” para a ocupação militar.
A este respeito, o ministro de Exteriores costarriquenho, René Castro Salazar, comentou nos corredores da Corte que “é injustificável” que a Nicarágua argumente precisar de presença militar em uma área tão reduzida, “de apenas um quilômetro de largura”, para lutar contra o narcotráfico.
Além disso, acrescentou que a Costa Rica está disposta a “retomar as patrulhas conjuntas” contra o crime organizado que os países realizavam no passado.