Enquanto isso, os três principais partidos da Assembléia decidiram hoje instaurar no país a figura do presidente, embora seus poderes ainda precisem ser determinados. “Continuam as conversas sobre quais serão os poderes do presidente”, disse o líder do Partido Comunista do Nepal-Maoísta, o ex-guerrilheiro Pushpa Kamal Dahal, conhecido como “Prachanda”. Os ex-guerrilheiros venceram as eleições de 10 de abril no Nepal, e obtiveram 220 das 601 cadeiras da nova Constituinte. Os maoístas defenderam, em suas negociações com as outras forças políticas do país, que o futuro primeiro-ministro, posto ao qual Prachanda aspira, tenha o poder executivo e seja também o chefe do Estado. A poucas horas da histórica sessão que porá fim ao regime do rei Gyanendra, os principais partidos, signatários do acordo de paz de novembro de 2006, ainda mantêm sérias divergências em vários pontos. Um deles é a possibilidade de cassação do Governo por parte da Assembléia: os maoístas querem que o Executivo só possa ser derrubado com o voto de dois terços dos parlamentares, enquanto as outras legendas preferem uma maioria simples. “Caso o Governo possa ser derrubado com uma maioria simples, o foco estará mais em formar e tirar o Governo do que em preparar a nova Constituição, a tarefa principal da nova Assembléia”, advertiu Prachanda. Embora se trate de uma Constituinte, a Assembléia nepalesa servirá como um Parlamento interino e se encarregará de escolher o novo Governo. Os partidos prevêem que a Assembléia precisará de dois anos para redigir e aprovar a nova Carta Magna. Os membros da Constituinte tomaram posse em uma breve cerimônia realizada hoje. Às vésperas da declaração da República, foi registrada uma explosão de baixa intensidade no centro de Katmandu, que causou ferimentos leves a duas pessoas, segundo uma fonte policial. Outra bomba já havia explodido ontem, em local próximo ao edifício onde se reunirá a Assembléia Constituinte, sem causar vítimas.
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