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Negociadores correm contra o tempo para deixar Cancún com acordos

Arquivo Geral

08/12/2010 19h50

Os negociadores dos 194 países participantes da Cúpula da Mudança Climática de Cancún intensificaram nesta quarta-feira seus esforços para tentar chegar a acordos nos três dias que faltam para o encerramento da reunião.

As delegações avançam com lentidão na resolução dos aspectos fundamentais que colocam em risco um resultado satisfatório do encontro na cidade mexicana, particularmente um segundo período de compromissos do Protocolo de Kioto e os mecanismos de transparência na redução das emissões de gases poluentes.

Também não conseguiram vencer as reservas de Estados Unidos e China para incluirem no documento final suas metas em matéria de redução de emissões.

A comunidade internacional se comprometeu na cúpula de Copenhague, do ano passado, a impedir que a temperatura média do planeta subisse neste século mais de dois graus centígrados.

A chanceler do México e presidente da conferência, Patricia Espinosa, pediu às delegações que aproveitem a presença nestes dias de chefes de Estado e ministros para “intensificar” a busca de acordos.

“Acho que há um pacote de decisões ao alcance, mas não podemos dizer o que já temos na mão”, afirmou Patricia em reunião com as delegações, nas quais foram divulgados dois novos documentos preliminares de trabalho.

Além disso, ressaltou que a conferência terminará dentro do prazo previsto pelo programa, às 18h de sexta-feira (22h no horário de Brasília).

“O que precisamos agora é mais vontade política, não mais tempo para discutir”, ressaltou Patricia, que reiterou mais uma vez o compromisso de seu país com um processo negociador transparente e sem acordos secretos de última hora.

Por isso, pediu aos negociadores que tenham pronto um documento pactuado para sexta-feira de manhã, o que deixa pouco mais de um dia e meio de tempo para fechar as brechas que separam as posturas dos países em desenvolvimento e os desenvolvidos.

Nesse aspecto, a comissária europeia de Ação pelo Clima, Connie Hedegaard, pressionou nesta quarta-feira a China para que aceite um maior compromisso na criação de mecanismos de revisão e verificação de redução de emissões (MRV, na sigla em inglês).

Em sua opinião, é insuficiente que Pequim aceite em princípio os MRVs e depois desista de especificar quais tipos de mecanismos internacionais aceitaria para confirmar que cumpre seus compromissos.

Por sua parte, a delegação chinesa sustenta que não aceitará inspeções internacionais que corroam sua soberania ou a imposição de castigos se os objetivos forem descumpridos.

O outro grande empecilho nas negociações é a recusa do Japão a participar de um segundo período de compromissos do Protocolo de Kioto, que expira em 2012 e é o único tratado vinculativo sobre redução de emissões.

A delegação japonesa, seguida silenciosamente por Canadá e Rússia, se nega a estabelecer novas metas de reduções a menos que Estados Unidos, que não o assinou, e China, que por ser um país em desenvolvimento não se considera obrigado, tomem medidas equivalentes às que eles fizeram.

Os países em desenvolvimento sustentam que não é possível avançar em outros âmbitos das negociações se não houver um compromisso claro para renovar o Protocolo de Kioto, por isso nos últimos dias foram intensificados os esforços para encontrar uma fórmula de consenso.

Entre outras coisas, foi especulada a possibilidade de ampliar por mais dois anos as reduções contempladas atualmente pelo tratado, assinado em 1997.

“Não posso antecipar nada. Sei que estão fazendo as gestões a níveis muito altos”, disse à Agência Efe o chefe da delegação da Bolívia, Pablo Solón, em referência à visita do presidente de seu país, Evo Morales, ao Japão.

Morales deve chegar na quinta-feira a Cancún procedente de Tóquio para pronunciar um discurso perante o plenário da cúpula e se reunir com autoridades presentes.

Solón indicou que foram feitos certos avanços na negociação de um acordo final, e citou como exemplo a inclusão nos textos preliminares de um pedido para que não sejam adotadas medidas que afetem às comunidades indígenas sem seu consentimento.

Algumas ONGs assinalaram nesta quarta-feira Japão, EUA e União Europeia (UE) como as delegações que impedem o progresso das negociações.

Entre outras coisas, pediram aos europeus que transfiram aos documentos de trabalho suas boas intenções em matéria de redução, financiamento e outros aspectos.

Também acusaram os americanos de tentar impedir a inclusão de números e compromissos concretos nos textos, enquanto exigem que a China exiba seus programas de redução à população internacional.

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