As negociações entre os Estados Unidos e o Irã previstas para esta sexta-feira foram canceladas após intensos combates entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano, disseram três autoridades aumentando as dúvidas sobre a implementação de um acordo ainda incipiente para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Autoridades iranianas não viajaram, como previsto, para a Suíça e insistiram que os combates no Líbano precisam cessar antes que as conversas ocorram, segundo as fontes, que falaram sob condição de anonimato para tratar da mediação em andamento e dos esforços para remarcar a reunião. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, também cancelou a viagem.
As Forças Armadas de Israel atingiram alvos no sul e no leste do Líbano durante a madrugada, e o Hezbollah relatou confrontos intensos. O Ministério da Saúde do Líbano informou que pelo menos 21 pessoas morreram, e Israel disse que quatro soldados morreram.
O conflito entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, é o ponto mais delicado do acordo com Teerã. Nem Israel nem o grupo militante assinaram o entendimento, mas ele prevê o fim dos combates entre ambos, e o Irã sinalizou disposição de arriscar uma nova escalada na região em nome de seus interesses no Líbano e de seu principal aliado regional.
Mediadores agora correm para remarcar as reuniões, que deveriam começar a tratar de como restringir o programa nuclear iraniano – a questão central que levou Israel e os EUA à guerra em 28 de fevereiro.
As conversas também deveriam pavimentar um fim permanente do conflito. O acordo provisório já reabriu o Estreito de Ormuz à navegação internacional, depois que ataques e ameaças iranianas praticamente interromperam o fluxo de petróleo e gás natural pela via marítima. Uma nova autoridade iraniana encarregada de supervisionar o estreito publicou orientações nesta sexta-feira pedindo que os navios se registrem, mesmo com as travessias atualmente livres, sinalizando a intenção de Teerã de possivelmente voltar a cobrar taxas.
Combates no Líbano ameaçam acordo EUA-Irã
O Exército israelense afirmou que a ofensiva militar continuava nesta sexta-feira depois que quatro soldados, incluindo um tenente-coronel, foram mortos em um ataque a um tanque em uma aldeia perto da cidade de Nabatiyeh, no sul do Líbano. Um ataque com drone explosivo feriu outros cinco, acrescentou.
Israel lançou então vários ataques contra “locais de infraestrutura do Hezbollah” em Nabatiyeh e em outras áreas, segundo um comunicado militar, que acusou o grupo de “violações flagrantes do cessar-fogo”.
Posteriormente, os militares disseram ter atingido alvos também no Vale do Beqaa, no leste do Líbano. A imprensa libanesa informou que a aldeia de Douris foi atingida.
“Israel não tolerará ataques contra os nossos soldados ou contra o nosso território e cobrará um preço muito alto do Hezbollah por esses ataques”, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em comunicado.
O Hezbollah reconheceu ter mirado tanques israelenses e afirmou que os ataques foram uma resposta ao que chamou de violação israelense do cessar-fogo. Explicou também que as ações ocorreram depois que as forças israelenses tentaram alcançar o lado norte do topo da colina Ali al-Taher, um ponto estratégico com vista para Nabatiyeh e que as tropas israelenses vêm tentando capturar.
No sul do Líbano, muitos foram forçados a fugir de seus vilarejos devido aos ataques israelenses.
Os combates ameaçam desmanchar o acordo recém-assinado. Além de encerrar as hostilidades no Líbano, o texto prevê garantir a “integridade territorial e a soberania” do país.
O acordo não diz se isso significa que Israel se retiraria de grandes áreas do sul do Líbano ocupadas desde que o Hezbollah entrou na guerra, nos primeiros dias do conflito, ao disparar foguetes e drones contra o norte de Israel.
O Irã insiste em uma retirada israelense, mas Netanyahu afirmou na quinta-feira que as forças permanecerão em uma “zona de segurança” no sul do Líbano enquanto “as necessidades de segurança de Israel exigirem”.
As ações israelenses no Líbano abriram uma fissura entre Israel e os EUA, com o presidente Donald Trump se tornando cada vez mais crítico do aliado Netanyahu. O primeiro-ministro também enfrenta críticas crescentes no plano doméstico e em outros setores. Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast
Estadão Conteúdo.