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Nawaz Sharif não será candidato às eleições legislativas no Paquistão

Arquivo Geral

08/12/2007 0h00


A apenas um mês da realização das eleições legislativas no Paquistão, see o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif afirmou neste sábado que ficará fora da disputa, em um dia marcado pela morte de três militantes do Partido Popular do Paquistão (PPP), da líder opositora Benazir Bhutto, durante um tiroteio.

O líder da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz e seu irmão Shahbaz Sharif não concorrerão às eleições de janeiro, após encerrar na sexta-feira o prazo para que recorressem da rejeição da Comissão Eleitoral a suas candidaturas. Outros membros da legenda, no entanto, poderão se candidatar.

Sharif decidiu não recorrer da decisão das autoridades paquistanesas, que suspenderam sua candidatura alegando que ainda pesa sobre ele uma condenação judicial.

O ex-chefe de governo foi condenado à prisão perpétua em 2000 por ter ordenado, em outubro de 1999, quando era primeiro-ministro, o seqüestro do avião no qual o atual presidente do país, Pervez Musharraf, então chefe do Exército, viajava. Musharraf retornava de uma visita oficial ao Sri Lanka.

Sharif afirmou que não recorreria à Justiça para dar validade a sua candidatura devido à fidelidade dos magistrados do Tribunal Supremo a Musharraf, que destituiu a cúpula da Corte após declarar estado de exceção, em 3 de novembro.

Com o apoio da aliança opositora Movimento de Todos os Partidos Democráticos (APDM), o ex-primeiro-ministro já tinha ameaçado boicotar as eleições se os cargos dos magistrados do Supremo não fossem restituídos antes.

Por outro lado, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto está decidida a disputar as eleições e já apresentou seu programa eleitoral. Hoje, pelo menos três militantes do PPP morreram em um tiroteio com homens armados devido a uma disputa de terras em uma área tribal do sudoeste do país, segundo uma fonte policial.

O confronto ocorreu na localidade de Balakot, no distrito de Naseerabad, próximo à capital da província de Baluchistão (sul), Quetta. A Polícia atribuiu a briga a uma “velha rivalidade” por terras entre dois grupos tribais.

O ataque contra os militantes do PPP, que pertenciam à tribo “omrani”, ocorreu durante uma viagem de Benazir a Dubai para se reencontrar com seus filhos. Ela deve voltar em breve ao Paquistão para concorrer às eleições.

Também participará das eleições de 8 de janeiro o fundador do Muttahida Quami Movement (MQM), Altaf Hussain, que pediu a todos os partidos religiosos “que participem deste processo democrático”. O MQM governa a província de Sindh (sul) e se considera próximo ao partido de Musharraf, a Liga Muçulmana do Paquistão-Q.

Sharif e Benazir, líderes de duas grandes plataformas opositoras, não conseguiram um acordo de princípios básicos. O ex-primeiro-ministro defende o boicote das eleições. Já Benazir concorrerá mesmo se a cúpula do Tribunal Supremo não for restituída.

O procurador-geral Malik Qayyum afirmou na sexta-feira que o estado de exceção no Paquistão será suspenso no próximo sábado, um dia antes do que Musharraf tinha anunciado. Em 29 de novembro, Musharraf fez o juramento para um novo mandato, desta vez como presidente civil, um dia após abandonar a chefia do Exército. Ele se despediu com elogios e afirmou que nunca esquecerá a “grande família” das Forças Armadas.


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