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Não nos apagarão, diz moradora sobre remoção do marco Black Lives Matter em Washington

O desenho foi feito em 2020 diante das manifestações por justiça racial nos EUA após o assassinato de George Floyd

Redação Jornal de Brasília

11/03/2025 21h37

black lives matter plaza mural removal begins in washington, d.c.

WASHINGTON, DC – 11 DE MARÇO: Equipes usam serras de concreto, martelos pneumáticos e escavadeiras enquanto continuam a desmontar o mural de rua Black Lives Matter Plaza em 11 de março de 2025 em Washington, DC. Um símbolo durante os protestos de 2020 contra o assassinato de George Floyd, o Distrito de Columbia pintou “BLACK LIVES MATTER” com letras maiúsculas amarelas brilhantes em dois quarteirões da 16th Street Northwest, dois quarteirões ao norte da Casa Branca. O Congresso e a Casa Branca ameaçaram reter milhões de dólares em financiamento federal, a menos que o Distrito de Columbia destrua o mural e o renomeie como “Liberty Plaza”. Chip Somodevilla/Getty Images/AFP (Foto de CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

JULIA CHAIB
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)

Diante de máquinas e do barulho de britadeiras, moradores e integrantes de movimentos sociais acompanham nesta semana a remoção do mural onde se lê a frase “Black Lives Matter” (vidas negras importam), marco antirracista traçado ao longo de uma rua próxima à Casa Branca, em Washington.

O desenho foi feito em 2020 diante das manifestações por justiça racial nos EUA após o assassinato de George Floyd.

A prefeita Muriel Bowser anunciou a decisão de repintá-lo em resposta às ameaças de interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em meio a uma ofensiva de republicanos para cortar o financiamento de transporte da cidade.

Nestas segunda (10) e terça (11), não houve grandes protestos no local. Mas diversos moradores passaram pelo local para fazer registros da praça e lamentar sua retirada. “Podem apagar o mural, mas não nos apagarão”, afirma Corrin Reid, 45, que trabalha em uma ONG, à reportagem.

Para ela, a remoção do mural representa uma mensagem do governo Trump contra minorias. “Você pode tirar fisicamente o concreto, mas é sempre bom lembrar que a mensagem é contra o assassinato de um homem negro na história de assassinatos de homens e mulheres negros pelo país. É triste, mas isso não apagará a memória do que isso representou”, diz.

“Eles não querem que a gente exista. Isso é como um soco, não estou feliz”, acrescenta Shervonne Baranes, 62. Ela foi ao local para fazer fotos e vídeos para que possa se lembrar do mural depois que ele deixar de existir.

No último domingo (9), mais de 50 integrantes da fraternidade Kappa Alpha Psi, um grupo universitário exclusivo de homens negros, reuniram-se em frente ao mural para honrar a praça.

Para algumas pessoas que passaram pelo local e falaram com a reportagem, por mais que a decisão de tirar a impressão das letras no asfalto tenha sido da prefeita, a avaliação é que a democrata foi obrigada a fazê-lo sob pena de perder financiamento.

Republicanos e Trump já ameaçaram colocar a capital dos EUA sob controle do governo federal. Washington D.C., distrito de Columbia, é um território e não fica em um estado americano. Tem algumas partes de sua administração compartilhadas com o governo federal, mas é autônoma. Defensores de Bowser veem um esforço em ceder a Trump para evitar perder essa autonomia.

Nesta segunda, o perfil da Casa Branca nas redes sociais postou um vídeo com as obras em andamento para a remoção da arte feita na praça Black Lives Matter.

Na semana passada, a prefeita havia anunciado a repintura como parte de um projeto para celebrar os 250 anos da capital, comemorados em 2026. Disse ainda que a praça não pode ser um motivo para o que chamou de distrações, em aparente referência às ameaças de Trump e de seus aliados.

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