“Não há nenhum problema em que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, fique todo o tempo que quiser na embaixada brasileira em Tegucigalpa”, afirmou hoje em Lima um assessor próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O problema é o tempo que não está no Palácio do Governo (de seu país)”, declarou o assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia, aos jornalistas, durante a visita oficial que o presidente Lula faz ao Peru.
Nesse sentido, Garcia pediu aos repórteres que lembrem o tempo que o fundador do partido político do atual presidente peruano (Alan García), Víctor Raúl Haya de la Torre, esteve asilado na embaixada da Colômbia em Lima, que se estendeu por cinco anos (de 1949 a 1954).
Sobre a possibilidade de que o Brasil conceda asilo político a Zelaya, o conselheiro brasileiro esclareceu que “não se está colocando” essa questão e opinou que o México é um país mais próximo a Honduras.
As declarações de García vieram logo após às declarações do encarregado de negócios da embaixada brasileira em Honduras, Francisco Catunda, nas quais sugeriu que só podia abrigar Zelaya até o próximo dia 27 de janeiro.
Zelaya tentou sair de Honduras na quarta-feira passada com destino ao México, mas o Governo de fato lhe negou o salvo-conduto necessário, já que o presidente deposto se recusou a abdicar de seu cargo, condição exigida por Tegucigalpa.
Em declaração conjunta, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, e do Peru, Alan García, condenaram hoje a recusa das autoridades de Honduras de conceder o salvo-conduto a Zelaya para que possa viajar ao México.