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Na Austrália, 60% da população já luta contra sobrepeso

Arquivo Geral

29/05/2011 11h19

Mais de 60% da população adulta tem problemas de sobrepeso na Austrália, que gasta milionárias quantias em fast-food e registra um dos índices de obesidade mais altos do mundo.

 

Corpos esculturais como o do campeão mundial e olímpico de natação Ian Thorpe e figuras esbeltas como a estrela de Hollywood Nicole Kidman contrastam com as volumosas barrigas de 24% dos maiores de 18 anos.

 

Segundo dados divulgados pelo Escritório de Estatísticas esta semana, a população de adultos obesos na Austrália aumentou 5% entre 1995 e 2008 – último ano de referência -, até alcançar quatro milhões de pessoas, número só superado por México, Nova Zelândia, Reino Unido e, é claro, Estados Unidos.

 

Além disso, outros estudos revelam que 37% dos australianos estão acima do peso, índice igual ao de cidadãos com massa corporal normal.

 

A falta de dinheiro, educação e exercícios físicos são fatores cruciais para entender a obesidade na Austrália, um país onde os pratos tradicionais são elaboradas a base de carne, salsichas e verduras cozidas ou pescados e mariscos acompanhados de batatas fritas.

 

De acordo com a última apuração disponível, 33% dos adultos obesos vivem em áreas pobres ou rurais, quase o dobro do índice entre os que moram em zonas com mais recursos ou urbanas.

 

Pobreza, ignorância ou estilo de vida, o certo é que se calcula que os australianos gastarão este ano cerca de 37 bilhões de dólares locais (27,75 bilhões de euros) em fast-food, 3 bilhões de euros mais que em 2008.

 

Com este valor, equivalente à ingestão anual de 343 hambúrgueres por habitante, a Austrália é o 11º maior consumidor deste tipo de alimento, sustentam dados da empresa de consultoria Euromonitor.

 

Atualmente, há na Austrália e na Nova Zelândia – país vizinho que também tem graves problemas com a obesidade – 1.250 restaurantes da rede Subway, 845 franquias da pizzaria Domino?s, 780 McDonald’s, 300 Hungry Jack’s e 600 KFC.

 

Jane Martin, uma especialista em políticas contra a obesidade, assinalou que o preço dos alimentos frescos é maior que o dos processados, e permite alimentar uma família de quatro pessoas por 20 dólares australianos.

 

Em Sydney, a maior cidade da Austrália, há muitos mercados com produtos frescos e orgânicos de primeira qualidade, mas tão caros que são poucos os que podem pagar por eles.

 

Os habitantes dos centros urbanos também são motivados a comerem melhor pelo programa de televisão “Master Chef”, no qual os aspirantes a cozinheiros surpreendem a audiência com pratos originais.

 

Mas a culinária cosmopolita não chegou ao interior: nas pequenas localidades, os supermercados têm produtos básicos e as opções se reduzem a cadeias de fast-food, o pub local e algum restaurante indiano ou asiático.

 

Pior ainda é a situação em comunidades aborígines e em zonas remotas, onde os alimentos se limitam a alguns produtos frescos e maior variedade de comida enlatada e congelada.

 

Em 2008, a tendência a engordar e à obesidade custou aos australianos 58,2 bilhões de dólares do país (43,65 bilhões de euros) com despesas médicas, pagamento aos cuidadores e mortes prematuras.

 

No começo do ano, a Fundação Nacional de Saúde da Austrália alertou que as crianças do país viverão menos que a geração de seus pais se persistirem os maus hábitos alimentares e a falta de exercícios.

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