O ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf anunciou nesta sexta-feira que tem a intenção de retornar em março do ano que vem ao país para se candidatar às eleições gerais de 2013.
Musharraf fez esta declaração em Dubai, nos Emirados Árabes, depois de se reunir com representantes da colônia paquistanesa residente no país, onde vive como exilado voluntário.
Em entrevista coletiva, Musharraf disse que primeiro viajará à cidade paquistanesa de Lahore e que provavelmente antecipará seu retorno ao Paquistão, se as circunstâncias permitirem.
O objetivo de seu retorno é “resolver o caos político e econômico e lutar contra as ameaças terroristas”, ressaltou.
Por outro lado, negou que haja uma ordem de detenção contra ele e afirmou que está disposto a comparecer perante qualquer tribunal para refutar as acusações de seus rivais políticos.
Além disso, o ex-presidente paquistanês criticou os Estados Unidos por considerar que violaram a soberania do Paquistão quando suas forças especiais mataram, no último dia 2 (pelo horário local) o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, em uma casa em Abbottabad.
“Nenhum país aceitará violações como estas por parte dos EUA, que violaram a soberania, o Exército e os serviços secretos paquistaneses”, acrescentou em declarações publicadas nesta sexta-feira pelo jornal “The National”.
Além disso, opinou que a permanência de Bin Laden por vários anos no Paquistão é a prova da incapacidade dos serviços secretos de Islamabad.
Musharraf, que chegou ao poder em 1999 após um golpe de Estado e abandonou o cargo em 2008, vive desde então entre Londres e Dubai.
O Paquistão vive uma instabilidade política e uma grave deterioração da segurança, com atentados contínuos por parte dos talibãs, como o realizado nesta sexta-feira na cidade de Charsada, que deixou pelo menos 88 mortos.