Uma aliança de 86 organizações de defesa dos direitos das mulheres reivindicou ao Governo do primeiro-ministro turco, viagra Recep Tayyip Erdogan, que a nova Constituição elaborada por seu partido reflita a igualdade de gênero, informou hoje o jornal “Radikal”.
“Uma Constituição que não reflita a igualdade entre o homem e a mulher não pode ser aceita”, afirmou em entrevista coletiva Hülya Gülbahar, diretora da Associação para a Educação e o Apoio às Mulheres Candidatas (QADEER).
Gülbahar referia-se a um dos rumores publicados pela imprensa turca que indicava que a minuta da nova Constituição poderia incluir um artigo no qual as mulheres seriam reconhecidas como um “grupo vulnerável que precisa de proteção especial”, o que as organizações feministas rejeitam categoricamente.
O Governo de Erdogan prepara uma Carta Magna para substituir a atual, elaborada pelos militares em 1982, e sua minuta ainda está sendo redigida.
No entanto, jornais turcos publicaram trechos da minuta e dedicam todos os dias várias páginas para comentá-los.
Isto fez com que o primeiro-ministro pedisse paciência até sua publicação oficial e debate parlamentar, “quando será enviada a todos os cidadãos para que possam discuti-la”.
As associações de mulheres que enviaram sua reivindicação ao Executivo islamita moderado de Erdogan se reuniram na Plataforma Constitucional Feminina para pressionar o Governo e fazer com que a nova Constituição não contenha resquícios do espírito “patriarcal”, que, segundo elas, ainda persiste no país.
Os protestos feministas são precedidos por um incidente entre Gülbahar e Erdogan. Durante uma recepção, ela pediu que fossem incluídas cotas mínimas de candidatas nas listas eleitorais.
“Até em Ruanda (o país com maior proporção de mulheres deputadas) há cotas”, lembrou Gülbahar ao primeiro-ministro.
“A senhora quer que (a Turquia) seja como a Ruanda?”, replicou Erdogan, em uma resposta muito criticada.
Em relação à proposta de suspender a proibição do uso do véu nas universidades, as organizações feministas pediram que não seja incluída na Constituição, já que basta uma lei ordinária para que seja colocada em prática.