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Mulheres palestinas relatam humilhação na volta a Gaza por Rafah

Repatriadas foram vendadas, algemadas e interrogadas por forças israelenses e milícias aliadas na reabertura da fronteira.

Redação Jornal de Brasília

04/02/2026 11h25

(Photo by Eyad BABA / AFP)

Mulheres palestinas descreveram uma jornada de horror e humilhação ao tentar retornar a Gaza pela reaberta passagem de Rafah, na segunda-feira (2). Elas foram vendadas, algemadas e submetidas a interrogatórios por forças israelenses e milícias palestinas aliadas, além de enfrentarem atrasos e o confisco de pertences.

As repatriadas, autorizadas a regressar ao enclave após a reabertura tardia da passagem no âmbito do cessar-fogo assinado em outubro do ano passado, iniciaram a viagem do Egito. Huda Abu Abed, de 56 anos, que passou um ano no Egito para tratamento cardíaco, relatou que a experiência envolveu opressão e longos atrasos. Ela mencionou o confisco de brinquedos por monitores europeus na fronteira e a saudade da família que a motivou a voltar, apesar de um filho ter sido morto em dezembro de 2024 sem que ela pudesse se despedir.

Outro relato veio de Sabah al-Raqeb, de 41 anos, que retornou após dois anos no Egito para tratamento médico. No trajeto pela zona controlada por Israel e pela ‘linha amarela’, o ônibus foi parado em um posto de controle operado pelas Forças Populares, conhecidas como milícia Abu Shabab. As mulheres foram levadas individualmente, vendadas e algemadas, e questionadas sobre o Hamas, o ataque de 7 de outubro de 2023 e questões relacionadas à militância. Al-Raqeb disse que um oficial perguntou por que ela voltava para Gaza destruída, e os homens armados sugeriram que poderiam permanecer na área controlada por Israel.

Os interrogatórios duraram mais de duas horas, segundo Abu Abed. Apesar da expectativa de que cerca de 50 palestinos entrassem no enclave na segunda-feira, apenas três mulheres e nove crianças conseguiram cruzar até o anoitecer, com outras 38 retidas. No sentido oposto, apenas cinco pacientes e sete acompanhantes deixaram Gaza para o Egito.

As Forças Armadas de Israel negaram qualquer conduta inadequada ou maus-tratos, afirmando que o processo de identificação e triagem em instalações de ‘Regavim’ seguiu procedimentos acordados, sem incidentes conhecidos de confisco ou apreensões.

A passagem de Rafah, única rota de entrada e saída para os mais de 2 milhões de habitantes de Gaza, permaneceu fechada durante a maior parte da guerra. A cidade de Rafah, com 250 mil habitantes, foi quase totalmente despovoada após ordens de evacuação de Israel, que realizou demolições extensas. Cerca de 20 mil residentes esperam partir para tratamento no exterior, e a reabertura, embora lenta, trouxe alívio a muitos. Na terça-feira (3), previa-se que 50 palestinos cruzassem do Egito para Gaza.

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