O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak será interrogado em sua residência na cidade litorânea de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai, devido a seu frágil estado de saúde, segundo o site do jornal estatal “Al-Ahram”.
A edição digital do jornal, que cita fontes sem identificá-las, informou nesta quinta-feira que o interrogatório de Mubarak pela acumulação ilegal de bens será realizado nesta cidade e não no Cairo.
Mubarak se encontra sob prisão domiciliar em Sharm el-Sheikh, para onde se transferiu após renunciar à Presidência em 11 de fevereiro, após 18 dias de protestos que exigiam reformas democráticas.
As especulações sobre a saúde de Mubarak foram constantes desde que ele deixou o poder e há informações de que ele teria sido atendido em um hospital na Arábia Saudita e inclusive de sua ida à Alemanha, onde no ano passado foi submetido A uma operação para retirar sua vesícula biliar e um pólipo no intestino delgado.
“Al-Ahram” informou na quarta-feira que a junta militar que dirige o Egito desde a renúncia de Mubarak tinha ordenado a formação de um comitê judicial para que investigue a legitimidade dos bens do ex-presidente e de sua família e os interrogue.
Este comitê se encarregará de provar as informações publicadas sobre as propriedades e o capital de Mubarak fora do Egito e adotará as medidas necessárias para impedir o ex-presidente e sua família de fazer qualquer gestão relacionada a estes bens.
O Conselho Supremo das Forças Armadas ordenou também que se adotem as medidas legais necessárias para permitir ao país recuperar os bens que Mubarak e sua família adquiriram de forma ilegal.
Está previsto, além disso, que na próxima semana tenha início o interrogatório do filho mais novo de Mubarak, Gamal, ex-dirigente do Partido Nacional Democrático (NDP).