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Movimentos sociais vão a Washington contra possível interferência dos EUA nas eleições

Entre os nomes que a comitiva inclui na agenda estão deputados democratas como Mark Pocan, Joaquin Castro, Chuy García e Jonathan Jackson

Redação Jornal de Brasília

21/07/2026 20h35

Foto: Mandel Ngan/AFP

Foto: Mandel Ngan/AFP

ISABELLA MENON E LAURA SCOFIELD
WASHINGTON, EUA, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Organizações e movimentos sociais participam de reuniões nesta semana com deputados em Washington. O objetivo é buscar alianças internacionais para impedir qualquer forma de interferência estrangeira nas eleições que definirão o próximo presidente brasileiro.


Entre os nomes que a comitiva inclui na agenda estão deputados democratas como Mark Pocan, Joaquin Castro, Chuy García e Jonathan Jackson. O grupo também pretende dialogar com as assessorias de Jim McGovern, Sydney Kamlager-Dove, Tim Kaine e Peter Welch. Há, ainda, a expectativa do encontro com um deputado republicano, cujo nome ainda não foi divulgado.

As organizações também devem ter agendas com a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), que integra a OEA (Organização dos Estados Americanos), representantes da Embaixada do Brasil e outras organizações da sociedade civil.


Também foi solicitada uma reunião com representantes do governo americano, mas não houve resposta.
Segundo o IP.rec (Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife), um dos participantes da missão, a intenção é dialogar com diferentes atores políticos e institucionais para destacar que o processo eleitoral brasileiro deve ser respeitado e que governos estrangeiros e empresas de tecnologia também observem a soberania brasileira.

A missão ocorre após aumento da presença internacional do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que neste ano viajou cinco vezes para os Estados Unidos.


A última, no início de julho, foi para contestar a aplicação de tarifas ao Brasil pelo país –às quais ele é associado em razão da atuação do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que pressionou autoridades brasileiras.


Eduardo vive nos EUA desde o início de 2025. Ao lado do influenciador Paulo Figueiredo, ele faz viagens frequentes a Washington e pede que o governo de Donald Trump e os parlamentares republicanos pressionem as autoridades brasileiras contra, por exemplo, a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por golpe de estado.


Em março deste ano, Flávio Bolsonaro palestrou no CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), o maior evento do tipo, no qual pediu que os Estados Unidos “apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente”.


“Meu apelo aqui, não apenas para os Estados Unidos, mas para todo o mundo livre é este: observem as eleições do Brasil com enorme atenção. Aprendam e entendam nosso processo. Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo”, disse.


Já a comitiva que tem os democratas como foco reúne cerca de 15 organizações da sociedade civil e é liderada pelo Washington Brazil Office.


Entre as integrantes estão a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), a Comissão Arns, a CUT (Central Única dos Trabalhadores), o Direitos Já, o Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), o Instituto Futuro, o Instituto Marielle Franco, o Instituto Vladimir Herzog, o IP.rec, o Lapin (Laboratório de Políticas Públicas e Internet), o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), o Odara – Instituto da Mulher Negra e a Plataforma CIPÓ.


Além das preocupações sobre interferência eleitoral, o diretor do IP.rec André Fernandes afirma levar aos parlamentares uma preocupação específica com o papel das plataformas digitais e dos sistemas de inteligência artificial na amplificação da violência política, especialmente contra mulheres, pessoas negras e outros grupos historicamente vulnerabilizados.


“Defendemos que o avanço de sistemas de inteligência artificial e das grandes plataformas não pode enfraquecer a soberania regulatória do Brasil nem se sobrepor às decisões democráticas tomadas pelo país”, disse à Folha de S.Paulo.


Questionado se a missão busca conter uma eventual interferência do presidente Donald Trump nas eleições brasileiras, Fernandes explica que o foco da iniciativa é defender o princípio da não ingerência em assuntos internos do Brasil e reforçar a confiança no sistema democrático do país.

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