Menu
Mundo

Morta em ataque em Berlim era mãe polonesa de 65 anos; Merz pede mudanças na lei

“Simplesmente não consigo entender como posso rastrear meu celular em qualquer lugar do mundo… mas, supostamente, é impossível, ou tecnicamente impossível, para as autoridades de segurança na Alemanha determinar a localização de potenciais terroristas a qualquer momento”, declarou o premiê em entrevista

Redação Jornal de Brasília

27/07/2026 13h34

17851657606a6777c07974e 1785165760 3x2 lg

Foto: John MacDougall/AFP

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS)

A mulher morta em ataque próximo à Parada LGBTQIA+ no sábado (25), em Berlim, era uma polonesa de 65 anos. Ela viajou para o evento na capital alemã com a filha, uma das 29 pessoas feridas no atentado. A informação foi divulgada pelo prefeito da cidade, Kai Wegner, pouco antes do primeiro-ministro, Friedrich Merz, trocar o tom de indignação do domingo por um mais acusatório nesta segunda-feira.

“Simplesmente não consigo entender como posso rastrear meu celular em qualquer lugar do mundo… mas, supostamente, é impossível, ou tecnicamente impossível, para as autoridades de segurança na Alemanha determinar a localização de potenciais terroristas a qualquer momento”, declarou o premiê em entrevista.

Abdul Ballout, 21, foi morto pela polícia na noite de domingo após quase 24 horas em fuga. Principal suspeito pelo crime, o alemão, filho de imigrantes libaneses, foi localizado em um jardim comunitário no subúrbio de Spandau, a cerca de dez quilômetros do centro da cidade. Abordado por um comando especial da polícia, bradou um facão e foi baleado.

Ballout era considerado simpatizante do Estado Islâmico e tentou se juntar ao grupo no ano passado, na Síria. Deportado do Líbano, foi preso ao desembarcar na Alemanha. Neste ano, foi condenado por ter planejado um ato de violência contra o Estado quando ainda era menor de idade. A pena foi abrandada para um ano e dez meses de condicional por ter cooperado com a Justiça e concordado se submeter a um programa de desradicalização.

A polêmica em torno do caso fez a corte responsável pela pena se pronunciar nesta segunda. Segundo porta-voz do Tribunal Penal de Berlim, a revogação do mandado de prisão em maio foi um “procedimento comum” após seis meses de detenção preventiva. Também não havia motivos legais para mantê-lo preso por mais tempo, como intenção de fuga, reincidência ou ocultação de crime.

A explicação soa técnica demais depois do ocorrido, notadamente no inflamado discurso político local.

“Teremos que responder à pergunta de como é possível que um homem classificado dessa forma tenha chegado sem ser incomodado às proximidades do Christopher Street Day em Berlim, na noite de sábado, e realizado esse ataque”, disse Merz, usando a designação oficial da Parada Gay no país.

Christopher Street era a rua de Nova York onde ficava o Stonewall Inn, bar invadido pela polícia em 1969. A reação da comunidade ao episódio é considerado o marco inicial do movimento pelos direitos LGBTQIA+ que se tornou mundial.

O primeiro-ministro afirmou que o governo vai estudar e propôr aprimoramentos na legislação federal sobre terrorismo, em uma crítica indireta à atuação dos estados e da Justiça. Também a política berlinense trocou farpas, antecipando o período pré-eleitoral na capital.

Stefan Evers, principal nome da CDU, o partido conservador de Merz, acusou os partidos de esquerda, que lideram as pesquisas, de tolerância excessiva com as comunidades islâmicas. Werner Graf, dos Verdes, afirmou que Evers estava sendo mesquinho ao transformar o momento de reflexão da cidade em política partidária.

Em setembro, além de Berlim, Saxônia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental também promoverão eleições estaduais, mas com prognóstico inverso, de vitória da AfD, o partido populista de extrema direita da Alemanha. Em diversas manifestações, integrantes da legenda voltaram a pregar como solução para o terrorismo a remigração, deportação em massa de imigrantes muçulmanos.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado