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Mundo

Morrem os 152 ocupantes de avião que caiu no Paquistão

Arquivo Geral

28/07/2010 14h33

Em meio a uma forte chuva e um denso nevoeiro, um avião Airbus caiu hoje nas colinas paquistanesas de Margala, perto da capital do país, Islamabad, onde equipes de resgate não encontraram um único sobrevivente entre os 152 ocupantes da aeronave.

“Está confirmado, não há sobreviventes”, assegurou à Agência Efe por telefone o porta-voz da Autoridade de Desenvolvimento da Capital, Ramzan Sajid.

O ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, também disse à imprensa paquistanesa que os 152 ocupantes do avião – 146 passageiros e seis tripulantes, segundo a autoridade de aviação civil do país – faleceram no acidente, a pior tragédia aérea da história do Paquistão.

A confirmação das mortes veio sete horas depois do acidente com a aeronave, que decolou às 7h45 locais (23h45 de ontem em Brasília) da cidade de Karachi e estava perto de aterrissar em Islamabad quando caiu às 9h43 locais (1h43 de Brasília), disse à Efe o porta-voz da aviação civil paquistanesa, Parvez George.

O avião acidentado é um Airbus A-321 da companhia Air Blue, a segunda maior do Paquistão. Onze ou 12 passageiros do voo se salvaram porque não chegaram a embarcar, segundo a televisão paquistanesa.

As colinas de Margala são a área de lazer favorita dos habitantes da capital. É um local com espaços verdes e diversas instalações militares.

As más condições do tempo e o difícil acesso ao ponto da queda do Airbus dificultaram os trabalhos de resgate, dos quais participam guardas florestais, equipes civis e um batalhão do Exército apoiado por três helicópteros.

“Ninguém sobreviveu. É tão brutal que fica difícil imaginar. O avião se chocou contra uma colina”, disse à Efe o subinspetor geral da Polícia de Islamabad, Bin Yamin, por telefone.

Questionado sobre o número de vítimas mortais resgatadas hoje, Yamin disse que “não são cadáveres, são partes de corpos. Recuperamos mãos, pernas, cabeças”.

“Esperamos poder identificar os restos mortais usando os telefones celulares, carteiras de identidade” e outros objetos pessoais, explicou.

Em um primeiro momento, fontes oficiais informaram sobre o resgate de cinco pessoas com vida, mas Sajid contou que as primeiros equipes de salvamento que chegaram ao local ouviram gritos de ajuda que mais tarde se apagaram.

“O local é de difícil acesso, entre dois e três quilômetros no interior de uma floresta”, disse Sajid, ao acrescentar que os cadáveres foram transportados para o Instituto de Ciência Médica do Paquistão nos helicópteros do Exército.

Em comunicado, a companhia aérea Air Blue disse que as “circunstâncias exatas da tragédia”, que aconteceu em condições de “denso nevoeiro e mau tempo”, estão sendo investigadas.

“A colina é muito alta e fazia mau tempo. Parece que o avião perdeu contato com a torre de controle e não conseguiu encontrar o caminho”, acrescentou Yamin.

As más condições do tempo impediram, segundo as versões recolhidas pela imprensa paquistanesa, que o avião aterrissasse em Islamabad pela rota prevista. Por isso, foi pedido ao piloto um desvio em paralelo às colinas de Margala.

O avião já estava com o trem de pouso quando caiu, segundo o porta-voz da aviação civil.

Segundo Malik, o avião registrou uma “inexplicável” mudança de altitude, pois após descer para 2.600 pés quando desviou de rota, voltou a subir para três mil.

Testemunhas citadas por diferentes veículos de imprensa disseram ter visto o avião voar a uma altura muito baixa ou ter ouvido uma explosão posterior ao choque contra a colina, mas George recusou comentar as circunstâncias do acidente e disse que é cedo para conjeturar sobre suas causas.

Até agora, as maiores catástrofes aéreas da história do Paquistão datavam de agosto de 1989, quando desapareceu um avião com 54 ocupantes no norte do país, e julho de 2006, quando morreram as 45 pessoas a bordo de um avião que caiu na região central.

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