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Morgan Tsvangirai seguirá refugiado na embaixada holandesa em Harare

Arquivo Geral

23/06/2008 0h00

O líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, order em inglês), Morgan Tsvangirai, seguirá refugiado na embaixada da Holanda em Harare, disse à Agência Efe um porta-voz do principal partido opositor do Zimbábue.

“Tsvangirai também passará esta noite na embaixada holandesa”, disse George Sibotshiwe, encarregado de comunicações no escritório de Tsvangirai, que não quis responder se outros diretores do MDC, incluindo ele mesmo, buscarão refúgio nessa ou em outras delegações diplomáticas na capital zimbabuana.

Segundo Sibotshiwe, “o assunto é muito sensível e não podemos dar mais informação até amanhã (terça-feira)”.

Fontes da embaixada holandesa contatadas pela Agência Efe se recusaram a comentar a possibilidade de que essa delegação acolha outros dirigentes da oposição zimbabuana.

O ministro de Assuntos Exteriores holandês, Maxime Verhagen, disse hoje em Haia à agência de notícias “ANP” e à televisão estatal holandesa “NOS” que Tsvangirai se refugiou na embaixada no domingo, após anunciar que se retirava da segunda rodada das eleições presidenciais, convocada para esta sexta-feira.

Tsvangirai disse no domingo em entrevista coletiva que não se apresentará ao segundo turno das eleições presidenciais devido à crescente campanha de violência e intimidação lançada contra seus seguidores pelo regime do presidente zimbabuano e seu rival no pleito, Robert Mugabe.

O líder opositor explicou aos jornalistas que continuar na campanha e participar das eleições significava agressões físicas e até a morte para seus seguidores.

“As milícias, os veteranos da guerra da independência e o próprio Mugabe deixaram claro em várias ocasiões que quem votar em mim no segundo turno das eleições enfrenta uma possibilidade muito real de ser assassinado”, disse Tsvangirai.

Grupos de militantes da governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) liderados por veteranos da guerra de independência do país espancaram brutalmente, no domingo, vários membros da ala juvenil do MDC quando se dirigiam a uma manifestação política em um estádio de Harare.

O deputado pelo distrito de Nkulumane, Thamsanqa Mahlangu, ficou gravemente ferido no ataque e está em coma na unidade de terapia intensiva de um hospital desta capital, informaram porta-vozes do MDC, que não quiseram ser identificados.

Cerca de mil militantes da Zanu-PF armados com paus e pedaços de ferro foram levados em caminhões do Exército até o local da manifestação, na qual Tsvangirai tinha previsto fazer um discurso, segundo as fontes.

Os ataques aos seguidores de Tsvangirai ocorreram à vista das forças de segurança zimbabuanas, que não intervieram.

A Polícia antidistúrbios revistou hoje os escritórios do MDC em Harare e deteve 39 pessoas “por razões de saúde”.

“Não foi uma revista, acompanhamos inspetores de Saúde Pública e de Bem-estar Social e transferimos essas 39 pessoas a um centro de reabilitação ao leste de Harare”, afirmou o porta-voz da Polícia zimbabuana, Wayne Bvudzijena.

“Recebemos informação de que a situação era um desastre do ponto de vista sanitário. Só estamos interessados na saúde dessa gente”, disse o porta-voz policial.

No entanto, o porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, assegurou à Efe que a Polícia deteve mais de 60 pessoas que tinham ido à sede central do partido após ser atacadas e feridas por seguidores da Zanu-PF.

“Detiveram todos os que se encontravam no edifício, incluindo aqueles que tinham vindo na busca de assistência médica. A Polícia está tentando destruir a evidência de sua brutalidade”, disse Chamisa.



 

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