O presidente boliviano, stuff Evo Morales, afirmou hoje que o Peru e a Colômbia querem excluir a Bolívia da negociação comercial com a União Européia (UE), e insistiu em defender uma “negociação bloco a bloco” com a Comunidade Andina (CAN).
Morales disse que o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a UE defendido por Peru e Colômbia “não é solução para a Bolívia nem para a região andina” e significaria “destroçar e sepultar” a CAN.
“Pedimos para não sermos excluídos, o que estão pedindo Peru e Colômbia no tema de comércio é para nos excluir. Só querem a Bolívia e o Equador em temas de diálogo político e em temas de cooperação, e não em temas de comércio”, disse Morales em um encontro com agências de notícia internacionais.
O presidente boliviano pediu também a seus colegas peruano e colombiano que “não destrocem” a CAN.
Morales, que amanhã viajará para Lima para participar da 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, em inglês), respondeu assim ao presidente do Peru, Alan García, que anunciou que consultará seus colegas de Bolívia, Colômbia e Equador sobre sua posição para assinar o TLC com a UE.
O chefe de Estado boliviano lembrou que sua proposta é assinar com o bloco europeu um Tratado de Comércio dos Povos (TCP).
“Precisamos de comércio, mas comércio justo” que “nos permita resolver problemas de alimentação” e inclusive eliminar a emigração de latino-americanos, assegurou.
Neste sentido, advertiu que a Bolívia está disposta a abrir seu mercado à Europa “na medida em que aumentem as exportações” à UE, o que inclui os “produtos ecológicos” elaborados no país.
Morales também defenderá na Cúpula de Lima a proteção dos serviços básicos como “um direito humano e não como um negócio privado” e pediu a Alan García que se some às políticas para “atender às reivindicações dos povos”.
O presidente boliviano também criticou a proposta formulada hoje por Alan García para criar um fundo mundial de reflorestamento que seja alimentado mediante um imposto sobre os combustíveis fósseis.
“O que o Peru está propondo é algo inaceitável”, afirmou o chefe de Estado boliviano, que se declarou contrário a “que se patenteiem a biodiversidade e os recursos”.
Por outra parte, se referiu à preocupação expressada pelo presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, sobre o processo de nacionalização de empresas na Bolívia e disse que já explicou ao dirigente que só está cumprindo seu programa eleitoral.