Três dias depois do terremoto que deixou nove mortos e 300 feridos na cidade espanhola de Lorca, na comunidade autônoma de Múrcia, muitas pessoas permanecem neste sábado nos acampamentos para desabrigados e outras voltavam a suas casas, embora com medo de novas réplicas e do desmoronamento das construções afetadas.
Entre a população estrangeira, cerca de 2 mil equatorianos e outros 500 bolivianos permanecem nos acampamentos condicionados para acolher os desabrigados, informaram à Agência Efe fontes oficiais dos dois países.
Lorca, município com cerca de 95 mil habitantes, onde vivem cerca de 10 mil equatorianos e 4 mil bolivianos, foi atingida na quarta-feira por dois terremotos, de magnitudes 4,4 e 5,1 graus na escala Richter, que causaram também graves danos materiais.
O presidente do Governo de Múrcia, Ramón Luis Valcárcel, pediu aos habitantes da província cujas casas foram declaradas habitáveis que as ocupem rapidamente para evitar a superlotação nos três acampamentos de desabrigados.
Muitos moradores da cidade tentavam retornar a suas casas após receber o sinal verde das autoridades, mas outros preferem não fazê-lo diante da presença de fendas nas construções.
O retrato da cidade ainda tem partes desoladoras. Neste sábado, várias pessoas andavam pelas ruas com malas, preparando deixar a cidade, enquanto outras lamentavam a destruição de suas casas e estabelecimentos comerciais.
Fontes municipais informaram à Agência Efe que 57,76% dos imóveis do perímetro urbano (1.597 dos 2.765), a maioria casas, foram declarados habitáveis por 26 equipes de arquitetos que inspecionaram a cidade em 48 horas e pintaram de amarelo 28,61% das construções (791), que requerem reparação antes de serem habitadas.
Os técnicos pintaram de verde os imóveis que não foram afetados e de vermelho os que sofreram danos graves e não poderão ser ocupados.
Neste sábado, a ministra de Defesa da Espanha, Carme Chacón, se reuniu em Madri com o chefe da Unidade Militar de Emergências (UME), José Emilio Roldán, e estabeleceu contato com vários membros da força-tarefa enviada a Lorca.
Segundo a ministra, “ainda resta muito a fazer” em Lorca. A tarefa primordial é restabelecer o mais rápido possível a normalidade, dando abrigo e alimentação à população.