Em pronunciamento à nação iraniana, transmitido pelas emissoras do país na noite de quinta-feira (9), o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, novo líder Supremo do Irã e filho do aiatolá Ali Khamenei assassinado no primeiro dia da guerra, reafirmou que a gestão do Estreito de Ormuz será elevada a um novo patamar com regras a partir de agora.
Khamenei destacou que o Irã não é belicista, mas não renunciará a seus direitos legítimos, enfatizando a união de toda a frente de Resistência no Oriente Médio, que inclui grupos como o Hezbollah no Líbano, o Hamas na Faixa de Gaza e os Huthis no Iêmen, opostos às políticas de Israel e Estados Unidos.
O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transitam 20% do petróleo e gás mundial, ocorreu como retaliação iraniana contra os bombardeios de EUA e Israel iniciados em 28 de fevereiro, elevando os preços da energia globalmente.
Dirigindo-se aos ‘vizinhos do Sul’ – países do Golfo Pérsico como Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita, acusados de colaborar com os agressores –, Khamenei alertou que eles testemunham um milagre e devem permanecer no lugar certo, evitando falsas promessas de ‘poderes arrogantes’. Ele aguarda uma resposta adequada desses países para demonstrar fraternidade, condicionada ao distanciamento de Israel e EUA.
O líder também exigiu indenizações por todos os danos causados na guerra, incluindo o pagamento pelo sangue dos mártires e feridos.
Ao povo iraniano, Khamenei incentivou a manutenção dos protestos nas ruas, como nos últimos 40 dias de guerra, afirmando que essa presença é crucial para a dignidade nacional, mesmo com o anúncio de negociações após o cessar-fogo de duas semanas. Ele observou que a guerra reduziu diferenças sociais, aproximando os corações e derretendo o gelo entre segmentos da sociedade sob a bandeira da pátria.
Khamenei pediu apoio mútuo para enfrentar a escassez de recursos e alertou contra a propaganda inimiga nos meios de comunicação, recomendando evitá-la ou tratá-la com ceticismo.
O pronunciamento ocorreu durante atos de homenagem ao 40º dia da morte de Ali Khamenei, reunindo multidões nas ruas de várias cidades iranianas. Após 40 dias de agressão por EUA e Israel, o cessar-fogo foi anunciado para negociações, mas autoridades iranianas ameaçaram rompê-lo devido a ataques massivos de Israel contra o Líbano.