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Ministro israelense descarta retomar diálogo com palestinos

Arquivo Geral

17/06/2011 14h29

O ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, frustrou nesta sexta-feira as expectativas da chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, ao declarar que a probabilidade de Israel retomar o diálogo de paz com os palestinos é nula.

 

“Com base na atual posição de (o presidente palestino) Mahmoud Abbas, as possibilidades de negociações são nulas”, disse Lieberman em entrevista coletiva com Catherine após a reunião que mantiveram na sede de seu Ministério em Jerusalém, segundo a imprensa local.

 

Lieberman foi além ao assegurar que Abbas “não deseja um acordo, mas o confronto com Israel”.

 

“Esse é seu interesse pessoal, apesar de ser contrário aos interesses palestinos e de muitos na Autoridade Nacional Palestina (ANP) se oporem a ele”, ressaltou.

 

Lieberman não só frustrou as esperanças da chefe da diplomacia da UE, como também desenhou um panorama pouco amistoso para um futuro mais imediato.

 

Se em setembro os palestinos tentarem ingressar como Estado na ONU, “Israel não se sentirá vinculado aos acordos que assinou com os palestinos nos últimos 18 anos”, advertiu.

 

A liderança palestina anunciou há meses que pedirá à ONU sua aceitação como membro de pleno direito do organismo, o que teria consequências simbólicas e jurídicas.

 

Lieberman considera que esta iniciativa representaria “o fim dos Acordos de Oslo”, que foram assinados em 1993 entre Yasser Arafat e Yitzhak Rabin, e “uma vulneração de todos os acordos” assinados até agora.

 

“Todos somos muito conscientes que setembro se aproxima com rapidez. Com os eventos da primavera árabe e após o discurso do presidente (americano Barack) Obama é mais urgente do que nunca iniciar negociações substanciais e fazer o processo de paz avançar”, disse Catherine por meio de seu porta-voz.

 

Uma mensagem que ela passou claramente a Lieberman durante a reunião, segundo um comunicado emitido pela representação da UE em Tel Aviv.

 

A chefe da diplomacia da UE destacou ainda a necessidade de um “marco de referência claro que permita às duas partes retornar à mesa de negociações”.

 

A chefe da diplomacia europeia, que chegou nesta sexta-feira a Israel após se reunir na quinta-feira em Amã com o ministro das Relações Exteriores jordaniano, Nasser Judeh, também falou de manhã com a chefe da oposição israelense, Tzipi Livni.

 

Durante o dia, ela irá à cidade cisjordaniana de Ramala para se reunir com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, e jantar com Abbas.

 


No sábado viajará ao Egito para participar da reunião do Grupo do Cairo, que inclui organizações que apoiam uma transição democrática na Líbia.

 


No domingo voltará a Israel para um encontro conjunto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o enviado do Quarteto de Madri para o Oriente Médio e ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.

 

A visita tem o objetivo de convencer israelenses e palestinos a retornarem à mesa de negociações antes de setembro.

 


O ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, propôs no início deste mês que a próxima reunião de doadores da ANP em Paris se transforme em uma conferência política para estimular o diálogo, mas a ideia foi recebida com frieza por Netanyahu.

 

 


Neste sentido, Lieberman qualificou na terça-feira passada os esforços europeus de que israelenses e palestinos voltem a negociar como “ingênuos”. 

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