O influente ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou nesta segunda-feira (8) que “não está em pauta” um diálogo com a oposição, em resposta à líder María Corina Machado, que propôs negociar uma transição democrática com o governo interino após a queda, em janeiro, de Nicolás Maduro.
A oposição liderada por Machado reivindica a vitória de seu candidato, Edmundo González Urrutia, nas eleições presidenciais de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito em meio a denúncias de fraude.
Após a captura de Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, a oposição afirma estar determinada a negociar com a presidente interina, Delcy Rodríguez, a realização de novas eleições com mediação de Washington.
“Com eles não está em pauta nada, e com ela menos ainda”, declarou o ministro Diosdado Cabello, referindo-se a Machado, durante uma coletiva de imprensa do governista Partido Socialista Unido da Venezuela.
“Não houve nenhuma reunião em nenhuma parte do mundo da presidente com qualquer personagem parecido”, afirmou.
Machado solicitou o acompanhamento dos Estados Unidos para “impulsionar uma negociação política” que permita “recuperar a democracia na Venezuela”, segundo um comunicado assinado por ela a partir do Panamá.
Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, afirmou que, para uma negociação voltada à transição, devem ser cumpridas condições como a libertação total dos presos políticos, o retorno seguro dos exilados e o “desmantelamento do aparato repressivo”.
“Quais condições?”, questionou Cabello. “Eles não têm condições, valha a expressão, de impor condições neste país”, afirmou.
Após a derrubada de Maduro, o governo de Donald Trump propôs um plano de três fases para a Venezuela: estabilização do país, recuperação econômica e eleições.
Trump declarou estar “satisfeito” com a presidência de Delcy Rodríguez, que era vice-presidente de Maduro e agora promove reformas nos setores de petróleo e mineração que abrem espaço para capital privado e estrangeiro.
Machado anunciou em diferentes ocasiões, desde o exílio, que retornará em breve à Venezuela, mas não confirmou datas.
Ela também afirmou recentemente que será candidata em eventuais eleições presidenciais na Venezuela.
AFP