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Ministro de Israel publica vídeo que mostra ativistas de flotilha humanitária a Gaza amarrados e ajoelhados

Cerca de 430 integrantes da flotilha começaram a ser transferidos nesta quarta para o território de Israel, onde permaneciam detidos antes da deportação

Redação Jornal de Brasília

20/05/2026 13h29

ativistas de flotilha humanitária a gaza amarrados e ajoelhados

Foto: Itamar Ben-Gvir/ X

FOLHAPRESS

O ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, iniciou nova crise diplomática envolvendo Tel Aviv e expôs divisões no governo liderado por Binyamin Netanyahu ao publicar um vídeo, nesta quarta-feira (20), que mostra ativistas com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão enquanto o hino nacional israelense é reproduzido em volume alto.

O grupo integrava uma flotilha com destino à Faixa de Gaza, interceptada pelas forças de Tel Aviv no mar Mediterrâneo. A gravação mostra os detidos em uma embarcação militar e já em território israelense. Em um dos trechos, Ben-Gvir aparece agitando uma bandeira de seu país. A publicação é acompanhada das legendas “Bem-vindos a Israel” e “É assim que aceitamos os apoiadores do terrorismo”.

A gravação motivou reações duras dentro e fora de Israel. A França disse que tais ações são inaceitáveis e convocou o embaixador israelense em Paris para prestar esclarecimentos, num gesto que é considerado uma reprimenda diplomática. Outros governos, incluindo Itália, Espanha, Irlanda e Turquia, também criticaram o tratamento dispensado aos ativistas detidos.

O ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, acusou Ben-Gvir de prejudicar a imagem internacional do país, evidenciando rachas na coalizão. “Você causou danos ao nosso Estado com essa exibição vergonhosa —e não foi a primeira vez”, escreveu o chanceler no X, argumentando que o material compromete esforços diplomáticos e militares conduzidos após a interceptação do grupo.

Já o premiê Netanyahu disse ter ordenado a deportação dos ativistas, mas afirmou que “a maneira como Ben-Gvir lidou com eles não está de acordo com os valores e normas de Israel”.

Os cerca de 430 integrantes da flotilha começaram a ser transferidos nesta quarta para o território de Israel, onde permaneciam detidos antes da deportação. Quatro brasileiros estão no grupo.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os ativistas foram retirados de suas embarcações e levados para navios israelenses após a interceptação, ocorrida na costa do Chipre.

A mais recente flotilha era composta por quase 50 barcos e havia partido do sul da Turquia na quinta (14) da semana passada. Os organizadores afirmam que a missão tinha como objetivo levar ajuda humanitária ao território palestino e desafiar o bloqueio naval mantido por Israel.

Na segunda (18), os ativistas anunciaram que forças de Israel haviam começado a subir a bordo das embarcações. Vídeos divulgados em seguida mostram militares israelenses disparando em ao menos dois barcos. Tel Aviv afirmou que suas forças fizeram apenas “disparos de advertência”.

Esta foi a terceira tentativa do grupo, em um ano, de alcançar a Faixa de Gaza por via marítima. Missões anteriores também foram interceptadas por Israel em águas internacionais.

Netanyahu classificou a iniciativa mais recente de “projeto mal-intencionado”. O governo israelense afirma que não permitirá violações do bloqueio naval imposto ao território palestino.

Segundo os organizadores da flotilha, os participantes são de 40 países. Entre eles estão parlamentares, jornalistas e ativistas internacionais. Os brasileiros Beatriz Moreira, militante do Movimento de Atingido por Barragens; Ariadne Teles, advogada de direitos humanos e coordenadora da Global Sumud Brasil;
Thainara Rogério, desenvolvedora de software, nascida no Brasil e cidadã espanhola; e Cássio Pelegrini, médico pediatra, integram a iniciativa.

A organização israelense de direitos humanos Adalah divulgou que os ativistas foram levados ao porto de Ashdod, no sul de Israel, e mantidos sob custódia enquanto advogados tentavam obter acesso aos detidos. Ainda de acordo com os organizadores, os ativistas deveriam ser transferidos para a prisão de Ketziot, localizada no deserto do Negev.

O Ministério das Relações Exteriores da Itália divulgou que havia cidadãos italianos a bordo, incluindo um parlamentar e um jornalista, e a primeira-ministra do país, Giorgia Meloni, classificou de inaceitável o tratamento dado aos ativistas.

A Espanha exigiu um pedido de desculpas pelo que chamou de tratamento “monstruoso, desumano e degradante” dado aos detidos. A ministra das Relações Exteriores da Irlanda, Helen McEntee, disse ter ficado “horrorizada e chocada” com o vídeo. Já o governo turco disse que Ben-Gvir “demonstrou mais uma vez ao mundo a mentalidade violenta e bárbara do governo Netanyahu”.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, também criticou a operação israelense. “Qual é a base legal para essas prisões?”, questionou. “Se houver conflito, Israel pode apreender e deter embarcações de terceiros países? Deter nossos cidadãos por razões não justificadas pelo direito internacional é excessivo e desumano.”

Os organizadores da flotilha dizem que Gaza continua enfrentando escassez de alimentos, medicamentos e suprimentos básicos, apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Hamas, em vigor desde outubro de 2025. Entidades humanitárias afirmam que a entrada de ajuda ainda permanece insuficiente.

O Hamas, aliás, também criticou as imagens divulgadas pelo ministro israelense. “Nós afirmamos que as cenas de tortura e humilhação orquestradas pelo ministro sionista fascista e criminoso, (Itamar) Ben-Gvir, durante a prisão de ativistas da Flotilha Global Sumud, são uma expressão da depravação moral e do sadismo que governam a mentalidade dos líderes da entidade inimiga criminosa (Israel)”, escreveu o grupo terrorista em comunicado.

Israel, por sua vez, nega restringir o fornecimento de suprimentos no território palestino. As forças do país mantêm controle sobre 60% de Gaza desde o cessar-fogo, enquanto o Hamas domina uma pequena faixa litorânea.

A guerra no território começou após os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023. Desde então, a maior parte dos mais de 2 milhões de habitantes do território palestino foi deslocada. Muitos vivem em prédios destruídos, tendas improvisadas ou acampamentos erguidos sobre os escombros deixados pelos combates.

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