O ministro da Defesa da Polônia, Bogdan Klich, renunciou nesta sexta-feira após a publicação do relatório sobre o acidente do avião presidencial em Smolensk, onde foram revelados erros na preparação do voo e na formação dos pilotos.
O primeiro-ministro polonês, o liberal Donald Tusk, confirmou em entrevista coletiva que Klich apresentou sua renúncia na quinta-feira, mas apenas na sexta-feira, após a apresentação do relatório, sua saída foi divulgada.
“Quero dizer que Bogdan Klich não é culpado pelo que aconteceu em Smolensk”, afirmou Tusk, qualificando o ex-ministro como “homem de honra e valente” por sua decisão.
“Renuncio para que ninguém possa dizer que, em uma situação tão difícil, não tenho coragem suficiente”, explicou minutos depois o próprio Klich.
O ex-ministro da Defesa se defendeu alegando que não tomou todas as decisões relativas à viagem da comitiva presidencial, que também foi organizada por funcionários do gabinete do presidente.
O acidente aconteceu em 11 de abril de 2010, quando o então presidente da Polônia, Lech Kaczynski, e sua comitiva pretendiam aterrissar em Smolensk, na Rússia, onde participariam de uma homenagem aos mais de 20 mil oficiais poloneses assassinados por ordem de Stalin em 1940.
Os resultados da investigação apontam erros dos controladores russos e deficiências no aeroporto, mas também carências no treinamento e na preparação dos pilotos do avião, um Tupolev 154M da Aeronáutica polonesa.
O relatório, elaborado por uma comissão presidida pelo ministro do Interior, Jerzy Miller, afirma que o aparelho voava muito baixo e rápido demais para as condições de intenso nevoeiro.
“Houve graves deficiências na organização da unidade (da Força Aérea responsável para o manejo de voos VIP)”, assinalou um dos membros da comissão de investigação, Maciej Lasek, durante a apresentação do relatório nesta sexta-feira.
No total, 96 passageiros morreram no acidente, entre eles, o próprio presidente do país, Lech Kaczynski, e sua esposa, além de grande parte da cúpula política, militar e religiosa da Polônia.
Nas conclusões do relatório foi descartada a possibilidade de atentado terrorista como causa da colisão, como mantêm destacados membros do partido conservador Lei e Justiça, ao qual pertencia Kaczynski, que não duvidaram nesta sexta-feira em qualificar de “falsos” os resultados do documento, que qualificaram de “propaganda russa”.
Para Antoni Macierewicz, parlamentar do Lei e Justiça, os resultados da investigação são um “escândalo” porque indicam que apenas a Polônia foi responsável pela tragédia.
Por sua parte, o irmão gêmeo de Lech, Jaroslaw, líder dos conservadores poloneses, considerou que Donald Tusk demonstrou “que carece da coragem suficiente para defender a honra da Polônia”.
“O senhor Tusk decidiu culpar seus ajudantes e os militares”, disse o líder do Lei e Justiça, que não hesitou em acusar o primeiro-ministro de dançar conforme a música tocada pela Rússia.
A formação conservadora também lembrou o caos que rodeou aquele voo do avião presidencial, e ressaltou que a segurança polonesa não inspecionou o aeroporto de Smolensk para determinar se estava preparado para a aterrissagem do aparelho.
A proximidade de eleições parlamentares devolveu força ao debate sobre o acidente que tirou a vida de Lech Kaczynski, o que mais tarde permitiu aos liberais conquistar a Presidência da Polônia.
No relatório elaborado meses atrás pelas autoridades russas, foi apontado exclusivamente um erro dos pilotos e às más condições meteorológicas como as causas do acidente.
“Aceito a renúncia de Klich porque o relatório recomenda uma série de modificações (na organização do Ministério), que só podem ser realizadas com um novo ministro”, justificou Tusk, que nomeou como novo responsável pela Defesa o até agora vice-ministro de Interior, Tomasz Siemoniak.