O minerador boliviano Carlos Mamani, o único estrangeiro entre os trabalhadores que ficaram presos na mina San José, agradeceu hoje a oferta feita pessoalmente pelo presidente Evo Morales de retornar ao seu país, mas disse que por enquanto ficará no Chile.
Morales chegou na manhã desta quarta-feira à cidade de Copiapó, a 800 quilômetros de Santiago, e se deslocou até a mina San José para visitar Mamani, que desde seu resgate, nesta madrugada, permanece sob observação médica no hospital de campanha.
Ao lado do presidente do Chile, Sebastián Piñera, Morales declarou ao minerador que seu Governo o apoiaria com uma casa e um emprego fixo em alguma das jazidas de petróleo que estão começando a ser exploradas no país vizinho.
O ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich, certificou que Mamani estava em “ótimas condições” para viajar no avião presidencial de Evo Morales caso quisesse assim o desejava.
“Se quiser viajar hoje mesmo à Bolívia não há nenhum inconveniente médico”, afirmou o ministro Mañalich, que brincou com o minerador dizendo que provavelmente pensava que após o acidente já não teria necessidade de voltar a trabalhar, mas que se equivocou.
No entanto, Carlos Mamani, que é casado com a também boliviana Verónica Quispe e tem uma filha de poucos meses, disse que preferia ser levado ao hospital de Copiapó e permanecer pelo menos durante dois dias junto a seus ex-companheiros de cativeiro.
A resposta do minerador frustrou as expectativas do líder boliviano, que previamente tinha manifestado seu desejo de levar Mamani e sua família de volta ao país.
No início da semana, Morales disse que pretendia estar presente quando o compatriota fosse resgatado, mas acabou chegando várias horas após Mamani ser içado na cápsula “Fênix 2”.
Nos dias anteriores à localização dos mineradores, a esposa de Mamani lamentou o fato de que o Governo boliviano não tinha se interessado pela história de seu marido, mas suavizou as críticas posteriormente.
O presidente da Bolívia agradeceu a Piñera pelos esforços desdobrados para resgatar, sãos e salvos, os 33 mineradores.
“Os bolivianos nunca vão esquecer este esforço, presidente”, enfatizou Morales, que acompanhou a chegada de alguns trabalhadores até a superfície.
Os familiares de Mamani também agradeceram ao Governo do Chile pelo resgate e o sogro do minerador, Johnny Quispe, reconheceu ainda o gesto do empresário chileno Leonardo Farkas de doar 5 milhões de pesos (US$ 10.400) a cada minerador.