O general reformado chileno Manuel Contreras Sepúlveda, condenado a mais de 200 anos de prisão em 40 julgamentos por violações dos direitos humanos, afirmou hoje estar “orgulhoso” do que fez à frente da Polícia secreta da ditadura de Augusto Pinochet no Chile.
“Fui chefe de uma instituição que eliminou o terrorismo no Chile. Estou orgulhoso do que fez a Dina (Direção de Inteligência Nacional)”, afirmou Contreras, de 81 anos, entrevistado pela emissora “Chilevisión” na prisão onde cumpre pena.
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, respondeu hoje ao pedido feito por Contreras durante a reunião, que cumprisse a promessa que fez como candidato de “não eternizar” os processos contra militares, assegurando que seu compromisso com os chilenos é “cumprir e fazer cumprir as leis”.
Contreras, que em outras ocasiões assinalou que se limitou a cumprir as ordens de Pinochet, ressaltou que o general Carlos Prats, antecessor deste na chefia do Exército, foi morto pela CIA (agência de Inteligência dos Estados Unidos), e não pelo organismo que comandava no atentado ocorrido em Buenos Aires em 30 de setembro de 1974, quando morreu também a esposa de Prats, Sofía Cuthbert.
O antigo chefe da repressão foi condenado há algumas semanas a 17 anos de prisão por esse crime, além de outros três anos por pertencer a uma “formação de quadrilha terrorista”, como qualificou a Justiça.