Um agente da polícia local afegã, supostamente envolvido com a insurgência, matou nove de seus companheiros na província de Paktika, informaram nesta sexta-feira fontes oficiais e dos talibãs.
Um porta-voz provincial, Mukhles Afghan, disse à Agência Efe que o membro das milícias locais – recrutadas por Cabul para atuarem como agentes policiais – conseguiu fugir após matar seus companheiros pouco depois de meia-noite (horário local) no distrito de Yhaya Khel.
As forças de segurança detiveram outros dois membros da milícia local, mas o autor dos disparos conseguiu escapar, acrescentou o porta-voz da província.
Segundo outra fonte do governo citada pela agência local “AIP”, o autor dos disparos tem vínculos com a insurgência local, o que, no entanto, não foi confirmado pelo porta-voz.
Os talibãs reivindicaram o ataque por meio de um comunicado em seu site, e informaram que o agressor, identificado como Sanaullah, estava infiltrado na milícia pró-governamental.
“Após o ataque contra as ‘marionetes’ (denominação talibã para as forças de segurança e as milícias favoráveis ao governo), ele fugiu com um veículo policial com armas e munição”, indicou o texto.
Apesar de seu apoio ao Executivo afegão, as milícias locais deram uma dor de cabeça a Cabul pelas constantes denúncias feitas contra seus agentes, que escapam do controle das autoridades.
Há seis meses, a ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou em um relatório que as milícias e os corpos de polícia locais, auxiliados pelo governo afegão e o apoio dos Estados Unidos, cometeram “sérios crimes” com impunidade.
“O governo afegão respondeu à insurgência reativando as milícias, que ameaçam as vidas dos afegãos”, segundo a HRW, que acusou o Executivo de não fazer “uma supervisão adequada” de suas ações.