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Milhares se manifestam em Valência contra atuação das autoridades nas inundações de outubro

Os manifestantes iniciaram a marcha nas ruas do centro da cidade de Valência pouco depois das 18h locais (14h de Brasília), com faixas como “Mazón, renúncia”

Redação Jornal de Brasília

29/12/2024 17h45

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Manifestantes seguram faixas para exigir a renúncia do presidente regional valenciano Carlos Mazon pela forma como lidou com as enchentes de outubro, em frente à praça de touros de Valência em 29 de dezembro de 2024. As enchentes que começaram em 29 de outubro de 2024 na região de Valência mataram 231 pessoas, com milhares de vítimas agora passando o Natal sem entes queridos, casas ou propriedades. (Foto de JOSE JORDAN / AFP)

Milhares de pessoas se manifestaram novamente neste domingo (29) em Valência para denunciar a atuação das autoridades nas mortais inundações que arrasaram o sudeste da Espanha no fim de outubro.

Os manifestantes iniciaram a marcha nas ruas do centro da cidade de Valência pouco depois das 18h locais (14h de Brasília), com faixas como “Mazón, renúncia”, em referência ao presidente conservador da região de Valência, Carlos Mazón.

Dois meses após as trágicas inundações de 29 de outubro, que deixaram 231 mortos, segundo o último balanço das autoridades, sendo 223 apenas na região valenciana, a indignação da população não diminui. Quatro pessoas continuam desaparecidas.

Ao grito de “assassino” ou “criminoso”, milhares de manifestantes se reuniram convocados por várias organizações locais e sindicais, para exigir a renúncia de Mazón.

O protesto foi liderado por dezenas de tratores que ajudaram as vítimas a limparem o barro e os carros destruídos que se amontoaram nas ruas.

Trata-se da terceira manifestação em Valência após as de 9 e 30 de novembro, que reuniram, respectivamente, 130.000 e 100.000 pessoas, segundo a Delegação do Governo espanhol em Valência.

As vítimas da catástrofe reclamam do governo regional por não ter avisado aos moradores com antecedência suficiente sobre o perigo das chuvas torrenciais, apesar de a agência nacional de meteorologia ter emitido alertas logo pela manhã.

Também criticam as autoridades pela lentidão em mobilizar os serviços de emergência.

Na Espanha, um país descentralizado, a gestão de catástrofes é responsabilidade de cada região, mas o governo central pode fornecer recursos e até assumir o comando em casos extremos.

Mazón e o chefe do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, se acusam mutuamente pelos falhas na gestão desta catástrofe histórica.

O Tribunal Superior de Justiça da região rejeitou as denúncias contra Mazón por sua atuação nas inundações, afirmando que não tinha competência no assunto, e precisou que os denunciantes poderiam solicitar uma investigação preliminar diante de um juiz de instrução

As inundações causaram danos significativos em cerca de 80 cidades e muitos habitantes ainda lutam para voltar à normalidade.

Em Paiporta, município considerado o epicentro da tragédia, apenas 20% dos comércios reabriram, segundo a câmara de comércio da Comunidade Valenciana.

© Agence France-Presse

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