Buenos Aires, 02 – O governo do presidente argentino, Javier Milei, se envolveu em uma disputa com um setor da imprensa do país após a divulgação de áudios gravados ilegalmente de sua irmã e funcionária, em um momento em que sua gestão é abalada por denúncias de corrupção.
“A cada passo fica mais clara a rede de espionagem ilegal da qual um grupo de jornalistas fez parte”, expressou Milei na terça-feira, 2, na rede social X. “Eles se disfarçam de ‘jornalistas’… Não estão acima da lei. Se acham impunes e não são”.
A declaração ocorre em meio às críticas de organizações de jornalistas após a justiça proibir a divulgação em meios tradicionais de áudios de Karina Milei, secretária-geral da Presidência, gravados durante uma reunião aparentemente na Casa de Governo.
A medida foi tomada após uma apresentação judicial do próprio governo, na qual denunciou “um ataque a uma das principais figuras do governo nacional, por meio de uma operação de inteligência não institucional grosseira”.
O objetivo da manobra, segundo a versão oficial, é “influenciar ilegitimamente a opinião pública, alarmar e desinformar a população, desestabilizar os principais indicadores da política econômica e, assim, influenciar o processo eleitoral nas próximas eleições legislativas” deste ano.
Na mesma apresentação, o governo solicitou a busca e apreensão nos domicílios dos jornalistas que divulgaram os áudios, algo que a justiça não acatou.
Karina Milei, apontada como a articuladora política de seu irmão economista, se viu envolvida nas últimas semanas em uma suposta trama de corrupção na compra de medicamentos para deficientes.
Estadão Conteúdo