Um em cada dois latino-americanos considera que a corrupção aumentou nos últimos três anos em seu país por causa da crise financeira mundial, é o que aponta a pesquisa Barômetro Global da Corrupção 2010, publicado nesta quinta-feira pela ONG Transparência Internacional (TI).
A América do Sul se destaca, no entanto, como uma das regiões onde menos cidadãos consideram que estes delitos aumentaram desde 2008, junto da Ásia-Pacífico e das repúblicas ex-soviéticas.
Além disso, 37% dos pesquisados na América Latina manifestam que a corrupção não mudou e 11% percebem redução.
Na média global, as pessoas acreditam que a corrupção aumentou em suas respectivas nações e está em 56%, enquanto na Europa e na América do Norte 73% e 67%, respectivamente, consideram que estes crimes financeiros cresceram.
“A crise financeira continua afetando à opinião das pessoas sobre corrupção, especialmente na Europa e na América do Norte”, garantiu a presidente da TI, Huguette Labelle, em comunicado.
Os países latino-americanos onde mais cresceu a corrupção nos últimos anos aos olhos de sua cidadania são Venezuela 86%, Peru (79%), México (75%), Brasil (64%) e Argentina (62%).
As nações sul-americanas melhor situadas neste estudo são Bolívia, onde 46% apontam crescimento da corrupção, El Salvador (48%), Chile (53%) e Colômbia (56%).
No âmbito internacional, os países em que os cidadãos percebem que a corrupção piorou são Senegal (88%), Romênia (87%), Venezuela (86%), Papua Nova Guiné (85%), Portugal (83%), Peru (795) e Paquistão e Iraque (77%).
Na outra extremidade, as nações e territórios que mais avançaram em direção à transparência – na percepção dos próprios cidadãos e independentemente de sua posição econômica – são Geórgia (78%), territórios palestinos (59%), Fiji e Serra Leoa (53) e Quênia (48).
Este estudo, diferente do Índice de Percepção da Corrupção que também é publicado anualmente pela TI, não classifica os países em um único ranking, mas, sim, tem enfoque temático e que nesta edição está centrado na percepção cidadã sobre a transparência das instituições públicas.
A ONG alemã considera “triste”, entretanto, que em nível global oito de cada dez pesquisados considere que os partidos políticos são “corruptos” ou “extremamente corruptos”, seguidos de falta de transparência pelo conjunto de funcionários e os órgãos legislativos nacionais.
No conjunto da América Latina, as instituições percebidas como mais corruptas são: os partidos, com 4% sobre máximo de cinco pontos, o sistema judiciário (3,8%), o Parlamento e os funcionários (3,7%), o setor privado (3,5%) e a Polícia (3,3%).
Destaque, no entanto, que a forte percepção de corrupção que pesa sobre os partidos políticos em El Salvador (4,4%), a justiça peruana (4,4%), a Polícia venezuelana (4,4%) e a Polícia e os políticos mexicanos (4,4%).
Além disso, 32% dos latino-americanos entrevistados consideram que a ação governamental contra a corrupção é “ineficaz” – contra 50% em nível global – e 40% a classifica como “eficaz”.
Sete em cada dez pesquisados no mundo garantem que denunciariam um caso de corrupção, percentual que se reduz a 50% no caso de serem vítimas pessoais de um delito econômico deste tipo.
“A mensagem do Barômetro de 2010 é que a corrupção é insidiosa. Faz as pessoas perderem a fé. A boa notícia é que o povo está disposto a atuar”, garantiu Labelle.
Para colocar fim à corrupção, a presidente da TI aposta em melhorar a proteção aos denunciantes, envolver a população e ampliar a informação à qual pode aceder a cidadania.
Labelle defendeu que os Governos de todo o mundo “mostrem seus esforços para restaurar as boas práticas de governança e de confiança” de seus cidadãos nas instituições públicas.
TI destacou que este Barômetro Global da Corrupção é o maior em cobertura dos realizados pela organização até o momento, ao incluir as respostas de mais de 91 mil pessoas de 86 países (8,5 mil pesquisados de nove países latino-americanos).