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Membros do PKK dizem não ter medo de conflito com a Turquia

Por Arquivo Geral 30/10/2007 12h00

Os guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) asseguram não ter medo de um possível conflito com a Turquia, pharmacy ao mesmo tempo em que transitam pelo Curdistão iraquiano e gozam da proteção e da hospitalidade de seus habitantes.

Na aldeia iraquiana de Shiranish Islam, a cerca de 20 quilômetros da fronteira com a Turquia, três guerrilheiros do PKK turco tomam chá tranqüilamente na casa de um aldeão; a chegada inesperada de alguns jornalistas não parece incomodá-los.

São duas mulheres e um homem, entre 30 e 40 anos, os três com trajes curdos e coletes de camuflagem, armados com fuzis Kalashnikov dos quais não se separam nem pra beber o chá.

“Nada de nomes, nada de fotos, nada de graduações: aqui somos todos iguais”, declara a chefe do comando, que finalmente aceita dar seu nome: Haval, que diz estar há “quinze anos com a guerrilha, desde que meu marido sofreu nas mãos dos turcos”.

“Não, não temos medo: nosso medo está guardado e trancado numa caixa”, comenta, em referência à possibilidade de um ataque em massa das forças turcas – presentes na forma de 100 mil homens na fronteira entre Turquia e Iraque – para acabar com os esconderijos do PKK, que provavelmente conta com 4 mil homens.

É surpreendente a naturalidade dos três guerrilheiros ao passearem pela aldeia e cumprimentarem os aldeões: “eles vêm quase diariamente, às vezes tomam chá ou então assistem televisão, e ainda por cima nos dão proteção”, diz um morador que pede para não ser identificado.

O Exército iraquiano está a quatro quilômetros a oeste de Shiranish Islam; “a partir daí, tudo é do PKK”, assegura o morador.

Haval – que parece ser a chefe do comando porque é quem se comunica com sua base por meio de um “walkie-talkie” que não pára de soar – não quer dizer quantos de seu grupo vivem na base mais próxima, a apenas dois quilômetros do povoado.

Os guerrilheiros contam com seus próprios hospitais e com água da montanha, mas não têm eletricidade, e quando precisam de comida e cigarros, mandam seus aliados de dentro das aldeias da região até a cidade mais próxima, Zakho, para fazer as compras.

O que deixa Haval e seus companheiros mais indignados são as condições de vida do líder curdo, Abdullah Öcalan: “fechado entre quatro paredes sem janelas, sem poder ver o Sol nem ouvir rádio, enquanto que os oito prisioneiros do Exército turco em nosso poder recebem tratamento humano. Isto é justo?”, diz ela.

Ao fundo, a emissora de televisão turca “MMC”, que faz suas transmissões a partir da Europa, não pára de transmitir manifestações da guerrilha e imagens dos “heróis do PKK”, misturadas a uma curiosa versão de “Hasta siempre comandante”, canção de 1965 feita em homenagem ao guerrilheiro Ernesto Che Guevara.

“Olhe o Kuwait, um Estado que mal tem meio milhão de habitantes; nós, que somos 40 milhões, não só não temos um país, como também não temos permissão da Turquia para estudar em nossa língua nem ter nossas próprias rádios e televisões”, diz indigado o homem, que carrega uma granada de mão no cinto.

“Não somos terroristas, nem gostamos de violência: só queremos desfrutar de nossos direitos como qualquer povo, como os bascos, os palestinos e os marroquinos de Ceuta e Melilla”, diz Haval.

“Mas quem nós mais admiramos são Emiliano Zapata e o subcomandante Marcos”, declaram, fazendo menção respectivamente à inspiração e ao porta-voz do Exército Zapatista de Libertação Nacional, movimento rebelde mexicano.

Para os três guerrilheiros, “tanto os Estados Unidos como a União Européia e até mesmo o Iraque” estão compactuando com os interesses da Turquia, um país que consideram estar “correndo risco de cair nas redes do islamismo radical”, em referência à ideologia islâmica do governante Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP).

Os guerrilheiros asseguram que a Turquia “faz ataques diariamente, dentro ou fora de suas fronteiras, e nem sequer respeita os direitos de guerra, distribuindo entre os curdos bombas disfarçadas de brinquedos, para que explodam nas mãos das crianças”.

“Se nos derem nossos direitos, estaremos dispostos a descer das montanhas e voltar à Turquia; caso contrário, não tememos a luta”, concluem.

Os moradores, que convivem diariamente com os milicianos, asseguram que não observaram nenhum preparativo de combate por parte do PKK nos últimos dias, por mais que os sinais de guerra se tornem mais evidentes.

O Exército iraquiano, que sabe o porquê de estrangeiros perambularem por aquelas terras, faz vista grossa; não é possível dizer que incomodem nem que controlem o PKK.






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