O presidente russo, Dmitri Medvedev, deixou nesta terça-feira a Polônia após uma breve visita para relançar as relações russo-polonesas, que coincidiu com os últimos vazamentos do WikiLeaks, que revelam que Varsóvia pediu aos Estados Unidos mísseis e aviões para se proteger da Rússia.
Os vazamentos diplomáticos publicados pelo WikiLeaks não abalaram, no entanto, o encontro de Medvedev e seu colega polonês, Bronislaw Komorowski, consideraram o começo de “uma nova era nas relações entre os dois países”.
Na segunda-feira, os dois assinaram sete acordos de cooperação que permitirão desenvolver a aproximação e articular novas bases para melhorar a colaboração entre as instituições.
A chegada do líder russo foi precedida por uma declaração da Duma (Parlamento), em que condenou o assassinato de mais de 20 mil oficiais poloneses prisioneiros em Katyn em 1940, assim como a desclassificação de parte de documentos referidos ao massacre, importantes gestos que foram classificados pela Polônia como exemplos decisivos dessa nova diplomacia russa.
“Devemos achar a verdade porque é necessária para os poloneses e não menos para os cidadãos de nosso país”, afirmou Medvedev.
Moscou reconheceu em 1990 sua responsabilidade nos massacres de Katyn, embora até agora nunca tenha sido condenado pelos fatos, tampouco pela atuação de Joseph Stalin, então líder da União Soviética e autor da ordem de morte aos milhares de militares poloneses detidos.
Apesar desta aproximação, os dois países ainda convivem com receio, e as filtragens do WikiLeaks demonstram a inquietação de Varsóvia diante da política externa do Kremlin.
Pelos documentos, o ministro de Assuntos Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, demonstrou em fevereiro deste ano preocupado pelo fato dos Estados Unidos “pudessem pressionar por concessões, às custas de Polônia, para ganhar o apoio da Rússia no Conselho de Segurança da ONU, diante de uma crescente hostilidade da China”.
Em um encontro com altos cargos poloneses, a embaixada americana anota que a Polônia “pede ser posta ao dia do status do diálogo dos Estados Unidos com a Rússia, sugerindo que a Rússia e não o Irã representa a principal ameaça à Polônia”.
Medvedev finalizou sua visita aVarsóvia depositando uma coroa de flores no monumento aos soldados soviéticos que lutaram durante a Segunda Guerra Mundial na libertação da Polônia do nazismo, para seguir para Bruxelas, onde participará da cúpula UE-Rússia.
A diplomacia polonesa classificou a visita do líder russo de “êxito” para a Polônia.