Os mediadores da guerra entre Irã e Estados Unidos intensificam os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz, em meio a novas movimentações diplomáticas e a sinais de que Teerã prepara uma lista de condições para restabelecer o tráfego normal na região.
Na quinta-feira (27), o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, reuniu-se com altos líderes iranianos em Teerã e destacou, em publicação no X, “a importância de respeitar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, de acordo com o direito internacional”. Segundo relatos, o encontro ocorreu enquanto os esforços de mediação avançam para tentar restabelecer a navegação aberta pela via internacional.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou as conversas com Al Thani como “criativas” e renovou o apelo para que os EUA interrompam a pressão militar e econômica e retomem as negociações. Em publicação no X, afirmou que recolocar a diplomacia “nos trilhos não é impossível”, mas depende de Washington reconhecer que “a pressão não funciona”.
Posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou as novas sanções econômicas anunciadas pelos Estados Unidos na segunda-feira, chamando-as de “terrorismo de Estado” e pedindo que outros países não aderirem às medidas. O comunicado afirmou que seguir as sanções equivaleria à “cumplicidade na imposição da vontade ilegal de um Estado” sobre os demais.
Do lado iraniano, Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, afirmou na quinta-feira que o país estava preparando uma lista de condições para a reabertura do estreito. Em entrevista à TV Al Manar, por meio de um intérprete, ele disse que o Irã já havia chegado a um acordo com Omã sobre um corredor de navegação, com partes da rota em águas omanitas e outras em águas iranianas. Segundo Rezaei, os navios usariam um canal central designado caso os EUA atendessem às exigências iranianas.
Os Estados Unidos defendem que o Estreito de Ormuz permaneça uma via navegável internacional aberta. Antes da guerra, o estreito movimentava 20% do abastecimento global de petróleo, e, após o início do conflito, o Irã ameaçou atacar embarcações que transitassem sem sua autorização, o que reduziu o tráfego e elevou o preço do petróleo.
Catar e Paquistão ajudaram a intermediar um memorando de entendimento em junho que levou a um cessar-fogo, mas o acordo rapidamente se desfez devido a divergências entre Irã e EUA sobre o estreito. Nas últimas semanas, Teerã e Washington trocaram sobretudo declarações belicosas, deixando a diplomacia a cargo de terceiros. Em 8 de julho, Trump declarou que o memorando de junho estava “acabado” e intensificou os esforços para destruir a economia do Irã.