FOLHAPRESS
Após voltar à Venezuela no domingo (25), depois de dez meses no exílio, a líder opositora María Corina Machado agradeceu nesta quinta-feira (29) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela captura de Nicolás Maduro em janeiro e, em seguida, disse que não conseguiu diálogo com Lula (PT), reeleito à Presidência do Brasil.
Em sua primeira entrevista coletiva desde a volta ao país, María Corina disse que a invasão americana de janeiro abriu caminho para a liberdade da Venezuela. Ela também afirmou que pretende voltar a mobilizar a sociedade venezuelana em torno da realização de novas eleições presidenciais.
“Quero agradecer ao presidente dos EUA, Donald Trump, ao governo dos EUA e ao secretário de Estado, Marco Rubio, porque, graças à sua visão, à sua coragem e à ação de 3 de janeiro, abriu-se essa passagem para a liberdade”, disse.
Questionada sobre a interlocução com líderes de países vizinhos, a opositora afirmou manter boas relações com vários presidentes da América Latina, mas disse não ter conseguido diálogo com Lula.
“Tenho uma excelente relação não somente com o presidente da Colômbia, do Equador, do Paraguai, do Chile, da Argentina, da Bolívia, da Guatemala, da República Dominicana e, com certeza, com o presidente do Panamá. Falo frequentemente com todos eles, frequentemente. Nunca falei com o presidente Lula, nunca. Essa é a realidade, e acredito que não tenha sido por falta de interesse da minha parte”, afirmou.
A declaração ocorreu no momento em que representantes do regime e da oposição discutem o calendário eleitoral venezuelano. A líder opositora defendeu que as eleições presidenciais ocorram no ano que vem. Segundo ela, Rubio apresentou uma sequência de medidas para conduzir o país a uma transição democrática, com a realização de um novo pleito em 2027.
Mais cedo nesta quinta-feira, a líder do país, Delcy Rodríguez, prometeu organizar eleições limpas, mas não anunciou uma data para a votação. “Muitos se perguntam sobre os prazos eleitorais. Já disse: haverá eleições, todas as previstas em nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha”, afirmou ela.
Delcy afirmou que as reformas que promove nos sistemas judiciário e eleitoral permitirão constituir uma autoridade eleitoral aceita por todos. Ela lidera a Venezuela sob a tutela de Washington desde a captura de Maduro em uma operação militar americana, em janeiro.
María Corina, por sua vez, foi impedida pelo regime de disputar a eleição presidencial de 2024, vencida por Maduro em pleito contestado pela oposição e por observadores internacionais. Ela apoiou Edmundo González, que reivindicou a vitória e vive hoje na Espanha. Após passar mais de um ano escondida na Venezuela, Maria Corina deixou o país em 2025 para receber o Nobel da Paz. Ela ficou no exílio por meses.
A gestão do republicano pediu ao menos uma vez que Maria Corina adiasse seu retorno à Venezuela, segundo a agência Reuters, e a líder oposicionista fez tentativas frustradas de voltar ao país.
Ainda assim, após ser laureada com o Nobel, María Corina entregou sua medalha a Trump. A opositora disse que o gesto era uma forma de reconhecer o apoio do republicano à causa da liberdade na Venezuela.
María Corina agradece a Trump após voltar à Venezuela e diz que não conseguiu diálogo com Lula
Em sua primeira entrevista coletiva desde a volta ao país, a líder opositora que a invasão americana de janeiro abriu caminho para a liberdade da Venezuela
Foto: Pedro Mattey/AFP