O líder da antiga guerrilha maoísta do Nepal, this web Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Prachanda, se recusou hoje a formar o novo Governo do país, e condicionou isso ao rompimento do que chamou de aliança “antinatural” que ontem supôs a eleição de Ram Yadav como primeiro presidente da República do Nepal.
Prachanda fez estas declarações em coletiva de imprensa um dia depois que o candidato à Presidência do Nepal apresentado pelos maoístas, que têm maioria simples na Assembléia, ter sido derrotado.
“Esta situação e os eventos políticos acabaram com nosso desejo de formar Governo sob nossa liderança. O fracasso de nosso candidato nos colocou na oposição desde um ponto de vista moral”, admitiu o líder maoísta.
Yadav, candidato do partido do ainda primeiro-ministro Girija Prasad Koirala foi eleito ontem com os votos de sua formação, dos leninistas e do Fórum Janadhikar Madheshi (Fórum pelos Direitos dos Madheshi), o principal da minoria madheshi que habita o sul do Nepal.
O Fórum Madheshi retirou no último momento o apoio que tinha prometido ao candidato maoísta, Ram Raja Prasad Singh, também da etnia madheshi.
Prachanda qualificou a aliança que levou Yadav à Presidência de “antinatural e apolítica”.
Embora tenha reiterado que os maoístas se recusam a formar o Governo agora, não descartou a possibilidade de fazê-lo caso a aliança seja desfeita.
Horas antes do comparecimento de Prachanda, o porta-voz dos maoístas do Nepal, Krishna Bahadur Mahara, disse à Agência Efe que seu grupo não fechou as portas à formação do Governo.
O processo de paz no Nepal começou em 2006, com a assinatura de um acordo que pôs fim a dez anos de guerra entre o Governo e os maoístas.
Prachanda assegurou que os maoístas continuam comprometidos com o processo de paz, embora tenha admitido que os últimos eventos semearam a incerteza.
O Nepal transformou-se em República no último 28 de maio, pondo fim a quase 240 anos de monarquia.