Centenas de pessoas se colocaram nesta segunda-feira em frente à sede da Missão do Egito junto às Nações Unidas, em Nova York, em solidariedade aos protestos que acontecem em várias partes do mundo pela renúncia do presidente egípcio, Hosni Mubarak.
Os manifestantes levavam bandeiras egípcias e cartazes, em árabe e em inglês, nas quais reivindicavam a saída do poder do líder e a instauração de um regime democrático.
“Mubarak deve sair”, gritava a multidão, formada em grande parte por egípcios e outras pessoas originárias do país árabe naturalizadas americanas, todas cantando o hino do Egito.
Mervit, uma professora de origem egípcia vive há 20 anos em Nova York e não quis dar seu sobrenome, disse à Agência Efe que os presentes querem mandar uma mensagem de solidariedade aos manifestantes no Cairo e outras cidades, que há uma semana exigem a renúncia de Mubarak após 30 anos no poder.
Na opinião da professora, o atual regime deve ser substituído por um Governo “democrático e honesto” que aborde a grave situação econômica que atravessa a grande maioria da população.
“Quando fui lá, há dois anos, meus amigos tinham muitas dificuldades para encontrar comida. É uma situação insuportável, e está muito pior que quando eu saí, há 20 anos”, declarou.
Os organizadores dos protestos, que já reuniram no domingo centenas de pessoas diante da sede da ONU, garantiram que continuarão as manifestações de apoio em Nova York até que o atual regime egípcio caia.
Alguns dos manifestantes também reivindicaram aos EUA o corte das relações com Mubarak e da ajuda econômica ao regime do Cairo, que é de cerca de US$ 2 bilhões anuais.
O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse nesta segunda que o Governo de Barack Obama quer que a resposta de Mubarak às manifestações se concretize com “ações, não com nomeações”, em referência às mudanças ministeriais que efetuou o líder egípcio para tentar atenuar a revolta da população.
Gibbs também reafirmou a posição expressada no domingo pela secretária de Estado, Hillary Clinton, que Washington quer uma “transição ordenada à democracia” e admitiu que, por enquanto, o Governo do Cairo não está cumprindo esse objetivo.
Por sua vez, o porta-voz da ONU, Martin Nesirky, reiterou a convocação feita no último domingo pelo secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, às autoridades egípcias, pedindo que escutem a voz do povo e adotem “medidas audazes” que respondam às reivindicações.