O primeiro-ministro interino iraquiano, Nouri al-Maliki, refutou hoje os relatórios divulgados sobre a Guerra do Iraque pelo site do WikiLeaks, que o acusam de ter ordenado detenções seletivas, e garantiu que a publicação tem “alvos políticos”.
“As detenções não foram realizadas sobre bases sectárias, pertences políticas ou de outro tipo como alguns setores insinuam, mas pelas provas que condenam à pessoa, sem discriminação”, afirmou Maliki em comunicado divulgado por seu Escritório de Informação.
A nota acrescenta que “o Governo do primeiro-ministro, como comandante supremo das Forças Armadas, cumpre com seu dever de deter e castigar quando o ordena a Justiça”.
O comunicado não se refere aos dados que acusam Maliki de ordenar a formação de equipes encarregadas de perpetrar torturas e massacres.
Afirma que “apesar da cumplicidade de alguns meios de informação com a direção (WikiLeaks) que filtrou a documentação antes de difundi-la em seu site, não puderam apresentar uma só prova de conduta antipatriótica por parte do primeiro-ministro”.
“Os iraquianos são conscientes de que estas brincadeiras e bombas informativas têm conhecidos objetivos políticos”, ressalta a nota.
Maliki luta na atualidade pela reeleição como primeiro- ministro, depois que nas eleições de 7 de março sua coalizão, Estado de Direito, ficasse em segundo lugar com 89 cadeiras e que a vencedora, Al Iraqiya, também não conseguisse com seus 91 assentos o suficiente respaldo para formar Governo.
O comunicado destaca que Maliki em seus quatro anos de gestão trabalhou arduamente pela unidade do país e tomou “posturas valentes que sepultaram a violência sectária em todo Iraque e lutou contra os que estão fora da lei e cometem atos terroristas”.
Por outra lado, o escritório do primeiro-ministro disse que estudarão a documentação de WikiLeaks, que revela conduta inadequada das tropas americanas no Iraque e de companhias dependentes delas.
Entres as últimas, citou como exemplo a empresa de segurança Blackwater, à qual o Governo iraquiano proibiu de atuar no país pelas agressões executadas contra iraquianos inocentes.
“Por isso, reiteramos a necessidade que se leve em conta essa documentação para que nossos cidadãos que talvez tenham sido vítimas de violações alcancem a justiça. O Governo não será negligente nos direitos dos cidadãos, sem exceção”, indica o escrito.
Além disso, explica que “alguns testemunhos dirigidos contra outros setores não americanos (iraquianos), devem ser revisados com cautela e investigados, por isso que o Governo os levará em conta e investigará para ver até que ponto é verdadeiro, com a finalidade de levá-los diante da Justiça”.
O vazamento por meio do site da WikiLeaks de 391 mil documentos sobre a Guerra do Iraque revelou hoje inúmeras denúncias de torturas e abusos que os EUA nunca investigaram, mortes de civis das quais nunca informou e a ajuda iraniana às milícias iraquianas.
Os relatórios assinalam que desde a invasão americana do Iraque, em 2003, morreram mais de 100 mil iraquianos, dos que 70 mil eram civis.