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Mais de cem detentas são transferidas de prisão ocupada por presos na Venezuela

Mais de 100 detentas foram transferidas após ocupação de presídio em Barinas; governo promete criar mesa técnica para mediar crise carcerária

Redação Jornal de Brasília

25/05/2026 13h37

Foto: BRICEIDA MORALES / AFP

Foto: BRICEIDA MORALES / AFP

Mais de cem detentas foram transferidas de uma prisão na Venezuela depois que centenas de presos comuns ocuparam o estabelecimento penal ao denunciar “torturas” por parte das autoridades penitenciárias, que prometeram instalar uma “mesa técnica” para mediar a situação, informou um observatório independente nesta segunda-feira (25).

As prisões na Venezuela são alvos de constantes denúncias por condições de superlotação, conflitos violentos entre a população carcerária e os agentes penitenciários, além do controle exercido por grupos criminosos.

Dezenas de familiares aguardavam ansiosamente na manhã desta segunda-feira nas proximidades do presídio, constatou a AFP. Centenas de presos se concentraram no domingo sobre o telhado do Internado Judicial de Barinas (Injuba), com cartazes contendo mensagens como “SOS” e “Chega de tortura”.

Os presos, vários deles com o rosto coberto, incendiaram colchões e lençóis neste presídio localizado na terra natal do falecido presidente Hugo Chávez, a cerca de 500 quilômetros de Caracas.

Uma funcionária prisional informou de madrugada aos familiares “a retirada total das 112 mulheres que estavam no anexo [feminino], embora não tenha especificado para onde”, segundo a ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP).

“Ela também informou que haveria transferência voluntária dos homens e que juízes e promotores chegariam ao presídio para a instalação de uma mesa técnica” destinada a uma “revisão dos casos”, acrescentou a OVP na rede X.

Ao amanhecer, um grupo de detentos continuava sobre as torres da prisão, segundo o observatório independente.

O Ministério Público anunciou nesta segunda-feira, em um comunicado, a abertura de uma investigação sobre a “situação de protesto”.

Segundo a OVP, 1.200 homens e mais de 100 mulheres haviam declarado “greve” nesta prisão. Os detentos “asseguram ter sido vítimas de espancamentos e torturas”, indicou a ONG.

Há um mês, ocorreu um motim na prisão de segurança máxima Yare III, localizada a cerca de 70 quilômetros de Caracas, que deixou cinco presos mortos, segundo as autoridades.

Em 2023, o presidente deposto Nicolás Maduro ordenou uma operação militar para intervir nas principais prisões do país, controladas durante anos por quadrilhas criminosas.

A presidente interina Delcy Rodríguez, que governa sob pressão dos Estados Unidos após a queda de Maduro em janeiro, prometeu uma reforma do sistema de Justiça.

Rodríguez também impulsionou uma histórica lei de anistia para libertar centenas de presos políticos, que, no entanto, foi criticada por especialistas por ser considerada insuficiente.

AFP

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