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Mundo

Lula chega à Alemanha, que quer muito negociar com o Brasil

A expectativa é de anúncio de acordos em áreas como energia, serviços digitais, meio ambiente e recursos naturais

Redação Jornal de Brasília

19/04/2026 9h34

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Foto: OSCAR DEL POZO / AFP

JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
HANNOVER (ALEMANHA (FOLHAPRESS)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à Alemanha, na manhã deste domingo (19), como convidado principal da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, que neste ano tem o Brasil como país homenageado. Lula cumprirá dois dias de agenda intensa ao lado de Friedrich Merz, primeiro-ministro alemão.

Acompanhado de seis ministros, empresários e até líderes sindicais, Lula será recebido à tarde com honras militares no Palácio Herrenhausen, em Hannover, discursará em evento que abre oficialmente a feira e terá um jantar privado com o premiê.

Na segunda-feira (20), além de cumprir o tour inicial da exposição ao lado de Merz, uma tradição em Hannover, abrirá a 42ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que reúne empresários dos dois países, e, na sequência, a terceira reunião de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível.

Esse mecanismo, que prevê encontros de ministros e assessores dos dois governos em diversas áreas, é mantido pela Alemanha com menos dez países. O Brasil, inclusive, é a única nação latino-americana a dispor dele.

A expectativa é de anúncio de acordos em áreas como energia, serviços digitais, meio ambiente e recursos naturais. Ambientalistas esperam que Lula peça que a Alemanha triplique sua contribuição de EUR 1 bilhão no Fundo Florestas para Sempre (TFFF), e entidades industriais aguardam entendimentos estratégicos em áreas mais sensíveis, como armamentos e minerais críticos.

Em Barcelona, etapa inicial da visita presidencial à Europa, Brasil e Espanha assinaram 15 acordos de cooperação, incluindo minerais críticos, gargalo mundial, mas sobretudo na indústria europeia.

Empresários com trânsito entre os dois países esperam que a posição política cada vez mais independente da Alemanha em relação aos EUA contribua para uma aproximação ainda mais intensa com o Brasil.

A Alemanha é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, com US$ 20,9 bilhões de comércio corrente no ano passado. A entrada em vigor do acordo União Europeia-Mercosul também é vista como um catalisador de negócios pelas duas nações, as maiores economias e principais defensores do tratado nos respectivos blocos.

Na Hannover Messe, o Brasil terá seis pavilhões, ocupados por mais de 140 empresas e startups do país.

Ao menos 800 executivos brasileiros comparecem ao evento, que exibirá de caminhões movidos a biocombustível a pequenas empresas de serviços digitais.

Também na segunda, Lula fará uma visita à sede da Volkswagen, em Wolfsburg, acompanhado de líderes sindicais do ABC, Taubaté e Curitiba, locais das fábricas da empresa alemã no Brasil. Nos anos 1970, então principal dirigente sindical do país, Lula liderou diversas greves e negociações salariais na sede brasileira da Volkswagen, em São Bernardo.

No dia seguinte, o presidente faz uma escala em Lisboa, antes de regressar ao Brasil. Na capital portuguesa, se encontrará com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o novo presidente do país, António José Seguro.

A imprensa alemã destaca a importância da visita para a economia alemã, voltada para exportação e que vive uma crise sem precedentes com o tarifaço de Donald Trump e a concorrência comercial e tecnológica com a China.

Destacam também o desejo expresso por Lula de comer um sanduíche de Wurst, o típico salsichão alemão, em um quiosque de rua. Foi assim que o presidente brasileiro explicou em entrevista à revista Der Spiegel seu convite para Merz comer em botecos de Belém.

No ano passado, o premiê viralizou ao fazer comentário depreciativo sobre a capital paraense depois de sua participação na COP30. Os dois líderes minimizaram o assunto pouco depois, em um encontro do G20 na África do Sul.

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